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Le Cose Belle: As “coisas boas” do Cinema Italiano da atualidade

Le Cose Belle: As “coisas boas” do Cinema Italiano da atualidade

 

Tive a oportunidade de ver o documentário “Le Cose Belle” (2013) de Agostino Ferrente e Giovanni Piperno no 8½ FESTA DO CINEMA ITALIANO. Este festival celebrou este ano a sua 9ª edição. Com base em Lisboa, o festival é itinerante e percorre Portugal, Brasil, Moçambique e Angola para mostrar o melhor cinema que se faz em Itália.

Filmado durante mais de dez anos “Le Cose Belle” conta o cansaço e a beleza de crescer no sul de Itália, através das histórias de quatro jovens. Vemos dois momentos essenciais das suas vidas: a adolescência numa Nápoles cheia de esperança (1999), e a idade adulta na cidade paralisada da atualidade.

“Le Cose Belle” foi vencedor do Prémio do Público e de uma Menção Honrosa do Júri na passada edição da FESTA DO CINEMA ITALIANO. Este documentário é uma viagem inesquecível ao coração de Nápoles e também ao de toda uma geração.

“Le Cose Belle”: assim se faz cinema italiano

Agostino Ferrente e Giovanni Piperno formam um excelente duo nesta co-realização.

Ambos com uma carreira largamente dedicada à realização de filmes documentais, em que Agostino Ferrente, é conhecido por ser mais versado na escrita e Giovanni Piperno na direção de fotografia.

Em reconhecimento do excelente trabalho conjunto esta dupla tem ganho diversos prémios internacionais, nomeadamente com o filme: “Intervista a mia madre” (2000).

“Le Cose Belle” é um projeto com cerca de 20 anos de duração. Agostino Ferrente e Giovanni Piperno filmaram, nos anos 90, centenas de entrevistas a adolescentes. Na mesa de montagem, insaciados com o trabalho realizado, planearam voltar a gravar, cerca de 10 anos mais tarde, com alguns dos entrevistados

 

Das centenas de entrevistas realizadas foram selecionados quatro protagonistas: Fabio, Adele, Silvana e Enzo.

Os jovens foram escolhidos pela sua presença frente à câmara, transformando-se nas partes que se complementam num todo que consegue resumir a história de uma década da cidade de Nápoles. A cidade ganha vida através daquilo que nos contam os seus protagonistas mas também através daquilo que vamos percebendo subliminarmente.

Todos os protagonistas são o fruto daqueles que os criaram e da cidade que os viu nascer. E, também eles contribuem para aquilo que é a cidade. “Le Cose Belle” joga não só com as espectativas dos protagonistas e também com as do espetador. São várias maneiras de ver a(s) realidade(s), alcançando por vezes um abalo moral.

A equipa de produção continuou a acompanhar os protagonistas após as gravações do filme. Podemos testemunhar uma pequena parte disso nos créditos do filme, em que somos confrontados com breves atualizações da vida “atual” dos protagonistas e também com Enzo a gravar uma música num estúdio de som.

“Belíssimo!”

 

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