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4 usos que os realizadores podem dar à cor nos filmes

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4 usos que os realizadores podem dar à cor nos filmes

by Eduardo Aranha

A cor é um dos elementos fundamentais do filme ainda que por vezes possa passar despercebida ao olhar do espectador. Porém, no momento de produção e realização da película, e principalmente na fase de edição, a cor é levada a sério pela equipa de realização que espera usar este elemento tão simples para transmitir muito mais que sensações visuais. Algumas cores chegam mesmo a contar histórias.

Não importa o meio onde utilizamos a cor: pode ser uma fotografia, um filme, uma obra de arte ou até mesmo um design gráfico. Quem está responsável pelo elemento artístico irá sempre considerar a cor e o significado que a ela se encontra associado. Afinal de contas, a cor é algo muito mais importante do que aparenta ser e deve ser trabalhada em todos os nossos projetos se o que queremos é um excelente resultado final.

Já deve ter percebido, após esta introdução, que valorizamos a cor no cinema e o seu impacto. E, como deve ter deduzido pelo título, neste post vamos também falar da cor e de quatro utilidades que os cineastas lhe podem dar para construírem o seu filme e a história que querem contar.

Uma vez que não sou cineasta profissional mas apenas um cinéfilo como todos vocês, os conteúdos deste post baseiam-se em pesquisa e análises pessoais feitas por mim mesmo. Apresento alguns exemplos para explicar aquilo de que lhe quero falar e convido-o também a partilhar, através de comentários, alguns filmes e cenas onde a cor foi de facto usada de forma brilhante.

4 usos que os realizadores podem dar à cor nos filmes

Contraste

A cor é trabalhada frequentemente para criar contraste e consistência visual, permitindo que não aconteçam mudanças bruscas de cor de uma cena para outra. No cinema, como já devem ter percebido, predominam dois tipos de cor que ditam a temperatura de uma cena: o azul, associado ao frio; e o laranja, associado ao quente. O espectro de cada uma destas cores é trabalhado cuidadosamente por realizadores, especialmente quando querem de facto acrescentar a ideia de contraste ao filme. Basta manipularem as cores lado a lado para criarem um bom efeito.

Esta relação das cores, como dissemos, é frequentemente usada pelas grandes produções de Hollywood e campeões de bilheteria. Porquê? Os usos poderão ser muitos mas, por norma, acontece para destacar pessoas perante um cenário de fundo. Eis um exemplo extraído do filme Transformers.

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Por outro lado, o contraste pode ter mesmo um significado, querendo o azul demonstrar sentimentos mais negativos como o frio, o medo e o perigo enquanto o laranja simboliza o calor, a coragem e a segurança.

Época

Se é fã de filmes de época é normal que note que todos eles parecem ser trabalhados de forma a ter uma cor que nos remeta para um período histórico específico. Os realizadores por norma costumam usar nos seus filmes as cores em voga na época em que a acção decorre. Se analisarmos, por exemplo, filmes a acontecer nos anos 60 e 70 conseguimos detetar um padrão: uma utilização mais forte de laranjas, amarelos e castanhos, ou seja, cores quentes. Eis um exemplo retirado do filme The Virgin Suicides.

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Clima

Os realizadores costumam trabalhar muito a cor para denotarem um clima específico. Seguindo uma vez mais a lógica de que o azul representa o frio e o laranja o calor conseguimos aprimorar a nossa ótica para que, daqui em diante, possamos reconhecer a importância da cor em certos filmes como Snowpiercer, um filme que se passa sobretudo num cenário de gelo e neve que aposta em usar tons mais escuros onde o branco e o azul predominam.

gelo

Já o oposto acontece no filme Dante’s Peak, cuja acção revolve à volta de um vulcão em erupção e de uma catástrofe de fogo. A palete de cores usada, quer para demonstrar o fogo em si e a atmosfera quente, quer para demonstrar o tom de pele das personagens em reação ao calor e até mesmo o céu, incide muito mais em cores quentes como o laranja. No exemplo abaixo, retirado do filme Dante’s Peak, é curioso notarmos ainda o contraste que é feito entre a cena de fogo e o grupo de sobreviventes que se encontra destacado em tons mais frios, como o azul do casaco da personagem no centro do barco e o branco da própria embarcação.

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Significado

E, por fim, este é o lado mais vasto da cor e aquele que é melhor utilizado pelos realizadores: o significado. Uma cor, quando usada num momento próprio, pode ter um significado  explicar uma cena por si só. Para explicarmos melhor esta ideia vamos utilizar o exemplo mais comum e popular de Hollywood. O vermelho, por exemplo, é facilmente identificado a luxuria, sangue e culpa. O filme American Beauty – cuja imagem se encontra abaixo – é sem dúvida um dos melhores exemplos.

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Outras cores, como por exemplo o verde, podem denotar ao filme um outro significado. Um dos exemplos mais recentes que encontrei é possível ver no filme Doubt. Neste filme, que aborda a temática da pedofilia na Igreja, a cor predominante é sem sombra de dúvida o preto, uma cor escura que significa sobriedade e, neste caso, castidade, sacrifício e dedicação.

duvida

Porém, o verde assume nesta película também um outro significado. Em certas cenas, como no momento em que o padre dá a missa à comunidade, vemos o verde presente e bem vívido nos parâmetros que usa ao pescoço, nas paredes da instituição e até mesmo na bebida que o padre serve ao jantar com crianças.

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Qual o significado do verde neste filme? Possivelmente, é uma expressão da dúvida em si, de que há algo fora do normal e que rapidamente apanha o nosso olhar perante um cenário mais negro.

Esperamos que tenham gostado desta breve análise ao impacto da cor no cinema. Queremos saber mais sugestões da utilidade da cor para incluirmos no nosso artigo!

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