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O crescente cinema brasileiro e seus novos cineastas

O crescente cinema brasileiro e seus novos cineastas

 

O Brasil comporta, atualmente, uma das cinematografias mais promissoras do mundo – embora muitos brasileiros carreguem como herança o desprezo ao cinema nacional e privilegiem o estrangeiro, fato também facilmente observado no cenário literário.

Prova de que o cinema brasileiro está em uma crescente auspiciosa é que as produções nacionais vêm batendo recordes de bilheteria e exibição: em 2016, 23 tiveram mais de cem mil espectadores, 13 mais de quinhentos mil e 7 venderam mais de um milhão de bilhetes, segundo relatório divulgado pela Agência Nacional do Cinema – Ancine.

O mesmo relatório aponta também o crescimento do número de filmes dirigidos por mulheres – foram documentados 29, ou seja, 20,3% das obras lançadas –, e um total de 30,4 milhões de ingressos vendidos para filmes brasileiros, melhor resultado desde 1984, sendo que a participação de público em produções nacionais, realizadas por 134 produtoras brasileiras, chegou a 16,5%, um número expressivo e histórico.

Em 2017, o filme “Minha mãe é uma peça 2”, de Paulo Gustavo, teve um público de 9,8 milhões e arrecadação recorde de R$ 118 milhões. Entre as principais razões desses índices estão o aumento e a modernização do parque exibidor de filmes no Brasil, e o trabalho de novos e talentosos cineastas brasileiros.

Cinema brasileiro em ascensão

O cinema brasileiro deu seu primeiro salto através do diretor Humberto Mauro, considerado por muitos o Pai do Cinema Brasileiro, entre os anos de 1925 e 1974. Depois surgiriam ícones como Mário Peixoto e Gláuber Rocha.

Hoje, quando se fala em cineastas brasileiros, os nomes mais recorrentes são os de Fernando Meirelles e Walter Salles, estandartes do cinema verde e amarelo com filmes como “Central do Brasil” (Salles, 1998) e “Cidade de Deus” (Meirelles, 2002), longas premiadíssimos e mundialmente reconhecidos.

 

Porém, nos últimos dez anos a produção cinematográfica brasileira vem sendo impulsionada como nunca antes, e uma nova geração de cineastas brasileiros avulta no mercado, com presença constante em festivais internacionais e direcionando suas produções a plateias globais. São diretores jovens, ousados e geralmente de classe média, com boa formação cinematográfica, que transitam por temas envolvendo a diversidade e que, muitas vezes, preferem o desprendimento de abordagens sociais brasileiras.

Alguns destes nomes que estão dando novo fôlego ao cinema brasileiro e recebendo reconhecimento internacional são Carlos Diegues (“O grande circo místico”), Fernando Coimbra (“O lobo atrás da porta”), Alê Abreu (“O menino e o mundo”), Caroline Leone (“Pela janela”), Aly Muritiba (“Para minha mãe morta”), Iberê Carvalho (“O último cine drive-in”), Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (“Beira-mar”), Leonardo Lacca (“Permanência”), Anna Muylaert (“Mãe só há uma”) e Anita Rocha da Silveira (“Mate-me por favor”). Recentemente o ator e diretor Selton Mello lançou “O filme da minha vida”, baseado na obra de Antonio Skármeta, autor do lendário “O carteiro e o poeta”.

Como se vê, o cenário cinematográfico no Brasil é animador – ainda que, é verdade, incipiente se comparado a Hollywood e Bollywood: faltam investimentos, organização e divulgação, e o momento delicado que atravessa o país, com um governo considerado ilegítimo por boa parte do povo, é motivo de instabilidade também no ambiente das artes.

No recente Festival de Berlim, cineastas brasileiros leram um manifesto pedindo a manutenção das políticas públicas para o cinema nacional e se posicionando contra o governo Temer.

Acompanhemos os próximos passos do cinema brasileiro, que cada vez mais pede passagem no panorama global.

 

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