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Cinema documental: de onde vem o documentário?

Cinema documental: de onde vem o documentário?

 

O documentário, ainda que não passe pelas salas de cinema com a mesma frequência dos grandes títulos de Hollywood, é um género cinematográfico antigo e que procura explorar a realidade tal e qual como ela é. Ainda assim, tudo o que o documentário consegue, tal como o cinema de ficção, é fazer uma representação parcial e subjetiva da realidade, sempre influenciada pelo olhar do realizador.

Embora as primeiras experiências cinematográficas como documentário estejam, certamente, associados aos irmãos Lumiére, a verdade é que o documentário como o conhecemos hoje, e como se veio a definir, só assumiu a sua forma durante a década 20 do século XIX.

Neste post, é exatamente a esse tempo da história que viajamos, procurando encontrar a génese do documentário e perceber onde nasceu exatamente este tipo de filme.

Documentário: Flaherty e o esquimó

Alguns pioneiros mostraram que o material base de trabalho ideal para o documentário são as imagens recolhidas nos locais onde decorrem os acontecimentos relevantes. Por outras palavras, o registo em directo da realidade foi a primeira forma de cinema e encontra-se na raiz da árvore em que floresceu o documentário.

Durante os anos 20 do século XIX, surgiram as condições necessárias para a definição do género. Por intermédio de dois brilhantes cineastas, o norte-americano Robert Flaherty e o russo Dziga Vertov, o Mundo conheceu um posicionamento para o filme documentário.

Ambos confirmaram que é essencial que as imagens do filme digam respeito ao que tem existência fora do filme, ou seja, o cineasta deve sair para fora do estúdio e gravar as comunidades no seu habitat natural. No entanto, a esta ordem o realizador pode responder de modos diversos.

Os dois cineastas apontados são um exemplo desta afirmação: enquanto Flaherty pedia às pessoas para se manifestarem para a câmara de filmar, para que se representassem a elas próprias, o segundo desejava captar imagens de pessoas no seu dia-a-dia sem que se apercebessem que estavam a ser registadas para a posteridade.

Além destes pressupostos, ambos os realizadores consideravam essencial que o material recolhido fosse submetido a uma análise introspectiva. Este aspecto resultou na montagem do filme. Assim, o documentário não era mais um simples espelho da realidade, porque ao interligarem-se as imagens os cineastas estavam a conferir um significado à realidade.

Como ex-libris do cinema documental desta época, recomendamos a a visualização de Nanook do Norte. Para ler o artigo completo que dedicamos a esse filme, recomendamos que clique aqui.

Os três princípios do cinema documental

Passamos agora para os anos 30. Nesta década, John Grierson foi sem dúvida o maior símbolo da efervescência de um novo movimento documentarista, desenvolvido na Inglaterra, que não só reconhecia o filme documentário como género autónomo e distinto dos restantes filmes, como estipulava uma efectiva produção de filmes documentário.

 

O britânico admitia que para cada tema abordado era possível organizar o material respeitante de diversas formas, além de que cada uma dessas formas correspondiam a abordagens diferentes, mas esses pressupostos foram subjugados na defesa acérrima que efectuou para afirmar o documentário com função social.

Neste contexto, Grierson conferiu um especial relevo ao realizador dos filmes, classificando-o como um autor criativo, visto que o documentário já não era apenas a mera reprodução dos acontecimentos.

Com Grierson ficou definitivamente explicado que, para chamarmos documentário a um certo filme, não basta que esse documento nos mostre que o Mundo pode chegar até nós pelo olhar da câmara. É necessário que autor das imagens exerça o seu ponto de vista e que o resultado final seja o confronto entre dois olhares: o da câmara e o do realizador.

A partir daqui o documentário assumiu três princípios:

1 – A obrigação de se fazer um registo in loco da vida das pessoas e dos acontecimentos do Mundo;

2 – A apresentação dos temas deve ser organizado segundo um ponto de vista;

3 – O realizador tem a responsabilidade de tratar com criatividade o material recolhido, combinando e misturando essas imagens com outro material.

Outras características da escola de Grierson marcaram a identidade do filme documentário, pois este ficou conotado como um filme de responsabilidade social onde predomina a voz em off, o que, certamente, é uma das razões para o género ser confundido com a reportagem televisiva.

 

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Comentários

  • Andréia Nunes
    28 March, 2017

    Estou fazendo um artigo sobre documentário X mídias digitais, então gostaria de saber o que mudou nas produções de documentarios depois desse ” BUM” da internet, e se isso interferiu no modo de produção e distribuição desse material?

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