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Joan Crawford e Bette Davis: 5 momentos da rivalidade mais intensa de Hollywood

Joan Crawford e Bette Davis

Joan Crawford e Bette Davis: 5 momentos da rivalidade mais intensa de Hollywood

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Em 2017 estreou no canal norte-americano FX uma nova série de Ryan Murphy que, em cada temporada, se irá focar em disputas e zangas célebres da história. A primeira temporada de Feud começou logo com uma das rivalidades mais intensas da história de Hollywood, protagonizada por duas atrizes do mesmo tipo de envergadura em termos artísticos e que, mesmo só se tendo cruzado uma vez no grande ecrã, deram forma a momentos célebres que ainda hoje são recordados. Estou a falar de Bette Davis e Joan Crawford.

É em 1962 que chega às salas de cinema o filme What Ever Happened to Baby Jane?, um filme que contava com produção e realização de Robert Aldrich e se focava na história de duas irmãs.

Jane (interpretada por Bette Davis) tinha sido uma child star, conhecida nos palcos como Baby Jane: ao lado do pai, cantava perante os aplausos da audiência e via o seu ego ser alimentado com todos os mimos prestados pelo amor público. Mas o sucesso de Jane terminou nos seus dias de infância. Já Blanche (interpretada por Joan Crawford) alcançou o seu sucesso como atriz enquanto adulta, provando ter talento suficiente para brilhar acima da fama precoce da sua irmã.

Mas quando o filme começa, as irmãs vivem isoladas em casa, longe do mundo e presas a memórias de dias de glória, muito ao género de O Crepúsculo dos Deuses (1950). Blanche sofreu um terrível acidente que a deixou presa a uma cadeira de rodas (acidente esse que terá sido provocado pela sua irmã) e Jane ficou com o fardo de cuidar da irmã. O ressentimento e animosidade entre as duas é notável ao longo do filme, e poderia até mesmo ser classificado como um excelente trabalho de representação… se não soubéssemos que as duas atrizes, na verdade, se odiavam uma à outra.

Joan Crawford e Bette Davis: uma relação de dor

Não é difícil perceber a animosidade entre estas duas grandes estrelas de Hollywood, especialmente considerando a competitividade deste meio. Joan Crawford, quatro anos mais velha que Davis, era já uma grande estrela quando Bette Davis começou a fazer as suas primeiras aparições em filmes. Por esta altura, sabia-se já que Joan – que casou quatro vezes – não olhava a meios para alcançar fins e que se envolvia amorosamente com muitos homens para receber oportunidades em frente às câmaras. Aliás, mais do que se envolver, chegou mesmo a casar com o lendário ator Douglas Fairbanks Jr.

A imprensa norte-americana, como verdadeiros abutres, perseguia Joan Crawford num verdadeiro mediatismo sem fim. Consta-se que foi assim que houve uma primeira colisão de interesses entre as duas atrizes, quando foi adiada uma ação promocional para o filme Ex-Lady de Bette Davis de forma a que o anúncio do divórcio entre Crawford e Fairbanks pudesse ter grande destaque.

E no que toca a homens, também aqui terá havido um conflito de interesses, tudo porque as duas atrizes tinham interesse em Franchot Tone, aquele que se veio a tornar no segundo marido de Crawford. No entanto, segundo dava conta a imprensa, Davis estava também apaixonada por Tone desde que ambos tinham contracenado no filme Dangerous e a paixão por este homem despertou logo múltiplas dores.

Mas eis então que Bette Davis se torna maior do que Crawford na indústria cinematográfica. Em 1940, ambas as estrelas têm contrato com a Warner Bros., e a proximidade é tal ao ponto de terem camarins lado a lado. Como era seu hábito, Crawford tentou fazer o seu melhor para conquistar o afeto e amizade de Davis, enviando-lhe flores e presentes, mas todos eles foram devolvidos e consta-se que Davis se referiu mesmo a toda estas estratégias como “tentativas lésbicas”. Todavia, esta era na verdade um hábito muito comum de Crawford, que procurava conquistar da melhor forma possível todos aqueles que a rodeavam. A animosidade entre as duas atrizes foi tornando-se cada vez mais óbvia. Era frequente que trocassem comentários através da imprensa sobre os trabalhos uma da outra, romances, carreiras, prémios e até mesmo dos seus filhos.

É então que chegamos a 1962. Por esta altura, as carreiras de Crawford e Davis tinham estagnado face ao ritmo dos seus anos áureos. Atrizes mais novas eram vistas como os grandes nomes do cinema. Tanto Joan como Bette tinham deixado a Warner, e ambas precisavam de um novo hit que lhes lançasse de novo a carreira. Crawford, que procurava ansiosamente pelo seu segundo Óscar, lançou-se então no trabalho de encontrar a história certa para si. Após muita pesquisa, encontrou o livro What Ever Happened to Baby Jane de Henry Farrell e procurou o apoio de Robert Aldrich. No entanto, para que o filme fosse um sucesso, era necessário juntar dois grandes nomes para dar vida a Jane e Blanche.

Consta-se que foi a própria Crawford a procurar Davis para lhe apresentar o projeto. Davis leu o livro e gostou da premissa, mas só acabou por dizer sim após se encontrar com Aldrich e ter a certeza de duas coisas: em primeiro lugar, que ficaria com o papel de Jane; e em segundo, que Aldrich não andava a dormir com Crawford. Ao ter as respostas que desejava, Davis assinou o contrato e o filme entrou em fase de produção.

1 – Pepsi vs. Coca-Cola

Durante a gravação dos filmes a rivalidade entre Joan Crawford e Bette Davis tornou-se bastante evidente mas o que ninguém antecipava era que uma outra rivalidade bem conhecida nos Estados Unidos se juntaria às duas estrelas: as duas marcas de refrigerantes, a Pespi e a Coca-Cola, serviram quase como armamento entre as duas atrizes.

Joan Crawford tinha-se envolvido com a empresa da Pepsi-Cola em 1955, através do seu casamento com um dos acionistas da empresa, Alfred Steele. Mesmo que Steele, o seu quarto e último marido, tenha falecido inesperadamente com um ataque cardíaco em 1959, Crawford manteve uma relação com a Pepsi e assumiu o papel de embaixadora da marca. É por isso que em muitos dos seus filmes surge o logotipo da Pepsi em algumas cenas, ou durante conferências de imprensa em que a bebida era servida a Jane Crawford e a atriz a bebia em frente às câmaras.

Para combater esta forte influência da Pepsi no estúdio, Davis protestou de forma muito simples e elegante: instalou uma máquina de Coca-Cola no seu camarim.

 

2 – Mais peso

No filme “Whatever Happened to Baby Jane?”, há uma cena em que Jane arrasta Blanche da cama para fora do quarto. Sabendo que Davis padecia de problemas de coluna, Crawford orquestrou uma pequena sabotagem de forma a dificultar o processo: como? Dentro do casaco que vestia colocou pesos, de forma a ficar mais pesada do que era suposto. Como se não bastasse o peso, Crawford começou-se a rir em vários takes, já perto da conclusão, justificando que estava com cócegas… o que significava que tudo tinha de ser repetido novamente.

3 – A cena da agressão

Das muitas histórias contadas acerca do que se passou em estúdio durante as gravações, consta-se que houve uma pequena cena de agressão camuflada como representação. No filme, Jane agride Blanche, pontapeando-a enquanto esta se encontra indefesa no chão. Preocupada que Davis fosse de facto agredi-la, Crawford insistiu para que tal cena fosse filmada usando um duplo. E a verdade é que tal aconteceu… exceto num dos takes em que não foi possível usar duplo. Nesta cena icónica, Crawford gritou de dor e as filmagens foram interrompidas quando Bette Davis pontapeou Jane Crawford na cabeça. Davis ter-se-á defendido dizendo que “Mal lhe toquei”.

4 – Os célebres Óscares de 1963

O filme Whatever Happened to Baby Jane? registou um sucesso de bilheteiras que deixou a Warner Bros. completamente estupefacta. Para além do mais, quando a temporada dos Óscares chegou, esperou-se que o filme recebesse bastantes nomeações. Afinal de contas, quando Jane Crawford tinha descoberto o livro e projetado o filme na sua mente, imaginava-se a receber o seu segundo Óscar.

Mas a verdade é que foi Bette Davis (que por esta altura tinha já duas estatuetas douradas) a receber a nomeação para Melhor Atriz, deixando Crawford completamente colérica. O facto de Davis ser a favorita para vencer deixou Crawford em pior humor ainda. Na verdade, percebeu que precisava de fazer algo para roubar a luz dos holofotes a Davis na grande noite. Assim sendo, reuniu as suas armas e fez lobbying contra Davis, influenciando membros da Academia a votar em Ann Bancroft pelo filme The Miracle Worker.

Na grande noite da entrega dos prémios, a surpresa de Davis por ser derrotada de forma tão inesperada tornou-se mais amarga ainda quando Joan Crawford, com um grande sorriso nos lábios, subiu ao palco para receber a estatueta dourada em nome de Bancroft, que não pôde comparecer no evento.

5 – Hush Hush Sweet Charlotte

Dado o sucesso de “What Ever Happened to Baby Jane?”, Robert Aldrich tentou fazer um filme de semelhante sucesso em 1964. O facto de atrizes mais velhas serem capazes de atrair audiências ao cinema era algo que Hollywood estava agora disposto a explorar. É assim que surge Hush… Hush Sweet Charlotte (inicialmente conhecido como What Ever Happened to Cousin Charlotte?) e que voltaria a reunir no ecrã Bette Davis e Joan Crawford.

No entanto, dado que Davis tinha agora direitos de produção – e continuava ressentida pela humilhação na noite dos Óscares – a relação entre as duas atrizes foi desde logo marcada por vários atritos. Após Joan Crawford ser esquecida nos estúdios, dentro do seu camarote, após serem dadas por concluídas as gravações daquele dia, a atriz tomou uma decisão: fingindo estar doente, afastou-se do filme por tempo indeterminado. Mais tarde, a produção decidiu mesmo avançar sem a atriz e Crawford foi processada pela 20th Century Fox por ter boicotado o filme.

As duas atrizes nunca mais se voltaram a juntar no ecrã. Joan Crawford faleceu a 10 de maio de 1977, após uma longa carreira. Bette Davis morreu em 1989, vitima de cancro. Ainda assim, o “feudo” entre as duas tornou-se icónico e marcará para sempre a história de Hollywood.

 

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