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O Cantor de Jazz que abriu as portas para o cinema falado

O Cantor de Jazz que abriu as portas para o cinema falado

 

No ano de 1927, a 7ª Arte ganhou voz pela primeira vez (literalmente). No ecrã, estava Al Jolson, que no papel de Jakie Rabinowitz, ficaria eternizado como o primeiro ator a ser ouvido no cinema. Clássico mesmo entre os clássicos, O Cantor de Jazz (em inglês, The Jazz Singer) foi nomeado para um Óscar e mantém-se até hoje como uma das maiores referências do género musical.

Ao revolucionar por completo o universo cinematográfico da altura, o filme foi responsável pela introdução dos “talkies” ou filmes falados. Até à data, as exibições utilizavam atores escondidos por detrás da projeção e que intervinham apenas nas cenas onde havia música ou diálogos. A proeza foi conseguida graças à utilização do Vitaphone, um sistema de som criado numa parceria entre a First National e Warner Bros, e que já havia sido testado em Don Juan (também realizado por Alan Crosland).

 

O Cantor de Jazz foi um dos primeiros grandes sucessos desta fase transitória para o cinema falado. O filme conta a história de Jakie Rabinowitz, um jovem judeu de origem russa que, contra a vontade da sua família, canta músicas populares num show de variedades. Ao longo do clássico acompanhamos as peripécias do personagem que foge de casa para escapar ao pai, um cantor litúrgico que pretendia que o filho seguisse o mesmo caminho.

O sucesso de O Cantor de Jazz

Embora seja reconhecido como o primeiro filme não mudo, O Cantor de Jazz também foi exibido da mesma forma. Tudo porque a maioria das salas fora das grandes cidades não se encontrava ainda preparada para esta mudança de paradigma e, por isso, o filme acabou por ser mostrado da maneira tradicional.

O filme estreou em Nova Iorque no dia 6 de outro, data que coincidiu propositadamente com o feriado judeu de Yom Kippur. A estreia foi atribulada, não só pelo lado complexo da nova tecnologia, mas também pela situação financeira da companhia dos irmãos Warner, que na altura era precária.

 

Independentemente dos percalços, a receção da crítica foi de forma geral muito favorável. Aliás, o burburinho criado em torno do filme foi suficiente para que este se tornasse num sucesso comercial, ainda que muito do destaque lhe tenha sido dado nos anos que se seguiram. Em 1998, o filme foi escolhido como 19º melhor filme de todos os tempos, pelo American Film Institute.

A primeira voz do cinema foi uma terceira opção

Nem todos sabem, mas a primeira escolha da Warner Bros para o papel principal de O Cantor de Jazz não foi Al Jolson. A companhia tentou inicialmente firmar contrato com o ator que desempenhava o mesmo papel na Broadway, todavia a exigência de um salário elevado fez com que a contratação não acontecesse. Tentaram depois contactar Eddie Cantor, mas este também recusou.

The Jazz Singer retrata cenas de “ministrel show”, um tipo de espetáculo de variedades, onde performers brancos pintam a pele para fazerem de negros. Este foi um género muito popular nos Estados Unidos até à década de 1960, altura em que a conquista dos direitos civis e a luta contra o racismo fez com que a diferença entre brancos e negros se começasse a esbater.

 

 

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