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Realismo: a arte de representar o mundo tal como é no grande ecrã

Realismo: a arte de representar o mundo tal como é no grande ecrã

 

O Realismo é uma teoria artística que existe desde os dias da Antiguidade Clássica e que tem como objetivo a reprodução da realidade física através de arte. Antes da fotografia, o realismo foi evoluindo e manifestando-se através de literatura, escultura, pintura e outras formas artísticas.

No entanto, com o aparecimento da fotografia e, mais tarde, da imagem em movimento, os seres humanos passaram a ser capazes de criar mecanicamente uma imitação da natureza, em que original e cópia se tornam indistinguíveis aos olhos do público. Apesar disso, o processo de captura e edição das imagens é também contemplada na definição de realismo.

O crítico de cinema francês, André Bazin, aponta que, entre os realizadores que colocaram as suas crenças na realidade, se encontram nomes como Jean Renoir, Orson Welles, Robert Bresson, Roberto Rossellini e Vittorio De Sica, que não estão interessados no expressionismo das imagens ou nos truques de montagem, mas que priorizam um dever ontológico na estrutura narrativa, apresentando processos reais de forma objetiva, compostos por pessoas reais e que são exibidos na sua íntegra, independentemente da duração temporal da cena.

André Bazin afirma ainda que o realismo deve assumir um dever de capturar e exibir a realidade tal como ela é, de forma genuína e transparente. Em contrapartida, os realizadores que priorizam a imagem são aqueles que valorizam aspetos como a edição e montagem das imagens, modificando-as para construir narrativas que não correspondem, de facto, à realidade.

O movimento artístico realista no cinema é demarcado por nomes como Robert Flatherty, frequentemente referenciado como pioneiro do realismo, por ter combinado realidade e ficção no seu trabalho; Joris Ivens, que liderou o género cinematográfico documental político; John Grierson, que realizou documentários como “Night Mail” (1936), que tinham um caráter educativo, destinados a uma sociedade moderna em adaptação a novas tecnologias; e ainda Dziga Vertov que, influenciado pelo cinema soviético emergente, realizou documentários juntando o impulso transfigurativo da montagem com o impulso realista da captação das imagens influenciando, após a II Guerra Mundial, o Neorrealismo Italiano, de que falamos de seguida.

Neorrealismo

Entretanto, o Neorrealismo é uma corrente cinematográfica que surge a partir do realismo e do contexto sociocultural no período pós-guerra. Com as suas origens em Itália, nos anos que se seguem à II Guerra Mundial, o Neorrealismo ganhou forma nas mãos de cineastas que receberam formação subsidiada pelo governo de Mussolini. No entanto, a miséria social após o conflito militar resultou numa onda de descontentamento, impulsionada por aspirações políticas de esquerda, e compeliu realizadores como Roberto Rossellini e Vittorio De Sica a realizar trabalhos que demonstravam a realidade sociopolítica italiana.

Filmes como “Roma città aperta” (1945) ou “Germania anno zero” (1948), ambos realizados por Roberto Rossellini, foram emblemáticos no Movimento Neorrealista ao retratarem a miséria humana na Itália e na Alemanha após a derrota do Eixo. Bazin conclui a ideia e o contexto histórico do movimento, ao afirmar que se trata muito mais de uma reação à realidade do que a realidade em si.

 

 

Realismo Social

O Realismo Social é um movimento artístico, também originado no realismo, que se começou a evidenciar a partir do século XIX através da expressão artística. O movimento, desenvolvido como reação ao idealismo e egocentrismo do romantismo, aliado à consequente revolução industrial, procura retratar indivíduos que vivam numa realidade feia e pobre, inseridos nas classes operárias. Esta é uma direção artística que entra em ruptura com os conceitos de beleza que a arte preservava até então.

Inicialmente, o realismo social foi especialmente expresso através da pintura, nas mãos de artistas como Honoré Daumier, Gustave Courbet e Francisco Goya. A Grande Depressão de 1929, que eclodiu nos Estados Unidos e se alastrou pelo mundo, estimulou consideravelmente o realismo social enquanto arte a partir dos anos 30. É neste contexto socioeconómico que se começam a realizar filmes dentro deste género.

Entre os maiores nomes do realismo social surgem nomes como Jean-Pierre e Luc Dardenne, assim como cineastas que lhes são contemporâneos, nomeadamente o húngaro Béla Tarr e os britânicos Mike Leigh e Ken Loach.

 

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