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Rei Artur – A Lenda da Espada: por que razão está a ser um fracasso de bilheteiras?

Rei Artur – A Lenda da Espada: por que razão está a ser um fracasso de bilheteiras?

 

Umas das grandes estreias planeadas para a época do verão de 2017 aconteceu no passado dia 11 de maio: o filme Rei Artur – A Lenda da Espada, com a realização de Guy Ritchie – bem conhecido por ter realizado os filmes de Sherlock Holmes – prometia ser outro blockbuster gigantesco, contando com um elenco protagonizado por Charlie Hunnam e Jude Law e uma combinação bastante cara de efeitos especiais. Ainda assim, meros dias após a estreia, começaram a correr notícias que nenhum produtor cinematográfico quer ler sobre a sua obra: o filme estava a registar um fracasso gigantesco nas bilheteiras.

Após serem considerados os dados das bilheteiras de cinemas de 51 países por todo o mundo, incluindo os grandes mercados dos Estados Unidos e da China, apurou-se que o filme tinha alcançado cerca de 45 milhões de dólares no seu primeiro fim-de-semana, um número que fica muito aquém das expectativas e que pouco retorno traz ao custo de produção avaliado para os 175 milhões de dólares (valor ao qual não se acrescenta sequer os gastos efetuados em marketing e publicidade). Curiosamente, Portugal parece ter sido uma das raras excepções em que o filme alcançou o 1.º lugar de vendas no seu fim-de-semana de estreia.

Entre todo o falatório que tem acontecido fora e dentro da Internet, estima-se que o prejuízo possa ir até aos 150 milhões para o estúdio produtor, a Warner Bros, o que não só fará deste o maior fracasso do ano, como também um dos maiores flops da história recente de Hollywood.

Ao longo dos próximos parágrafos procuramos tentar perceber o que correu mal nesta produção cinematográfica que tinha tudo para dar certo (ou talvez não). Para encontrar respostas procuramos basear a nossa investigação naquilo que alguns críticos e a imprensa andam a dizer.

Rei Artur – A Lenda da Espada: o que falhou?

O filme Rei Artur – A Lenda da Espada – como o próprio nome indica – adapta uma vez mais a lenda arturiana do rei de Camelot que, com a sua espada lendária e os cavaleiros da Távola Redonda, procurou unificar a Bretanha e defende-la dos seus invasores. Fora todas as adaptações e variações que se fizeram a esta história, acrescentar algo de novo e criativo não era uma tarefa propriamente fácil.

As intenções da Warner Bros passavam mesmo por criar uma espécie de “universo partilhado”, semelhante ao que vemos com os filmes dos Vingadores da Marvel, com diferentes heróis, em filmes individuais, a encontrarem-se num mega filme de vez em quando. Ainda assim, desde a fase de produção que este filme antecipava alguns riscos. Os constantes atrasos na produção de Rei Artur – A Lenda da Espada – que esteve em desenvolvimento durante seis anos – foram pontuados por mudanças constantes de elenco, realizador e até mesmo enredo.

1 – O elenco

Um dos maiores problemas da fase de produção do filme, e que poderá ter funcionado como fator para o seu fracasso, está relacionado com o próprio elenco. Atores de peso da indústria cinematográfica atual, como Idris Elba, James McAvoy e Colin Farrell receberam ofertas para interpretar diferentes papéis, mas acabaram por deixar o projeto ou por recusar tais propostas.

É assim que fica entregue a Jude Law – que veste o papel do vilão Vortigern – a missão de carregar nos seus ombros o filme, usando o seu próprio nome para atrair público ao cinema. Charlie Hunnam, que veste o papel do protagonista Rei Artur, é um nome emergente na indústria mas, como apontam muitos especialistas, ainda não conta com o peso suficiente para liderar um projeto tão ambicioso e caro. Para quem não está familiarizado com os trabalhos de Hunnan, recordamos que é melhor conhecido pela série televisiva Sons of Anarchy e alguns filmes com pouco destaque a nível internacional.

 

2 – O enredo

Outro problema significativo com este filme, e que já mencionamos acima, dizia respeito ao próprio enredo. Dezenas de filmes foram já feitos sobre esta personagem e as lendas arturianas, desde o épico Camelot de 1967 ao filme de comédia Monty Python e o Santo Graal. E a questão é que muitos desses filmes assumiram-se como marcos no género Arturiano tal foi o sucesso que registaram. Nos últimos anos, no entanto, o número de filmes baseados na personagem do Rei Artur diminuiu. A última grande adaptação foi, talvez, a de Clive Owen em 2004, King Arthur, que foi alvo de duras críticas pela imprensa críticos e registou também péssimos números nas bilheteiras.

O fracasso deste filme e a falta de sucessos baseados na lenda do Rei Artur desde o início do milénio podem sugerir uma certa apatia pelo assunto, particularmente entre os espectadores internacionais. Certamente, tal resposta seria consistente com outro tipo de filmes historicamente populares que caíram em desuso entre o público nos últimos tempos. O editor da revista norte-americana Variety, Seth Kelley, diz que “filmes de espada e sandálias como Ben-Hur” já perderam valor entre o público.

3 – Um filme essencialmente masculino

Outro problema que pode também ter ido contra o filme Rei Artur foi o facto de se focar essencialmente em homens. O filme reconhece a existência de uma grande personagem feminina – a atriz relativamente desconhecida Astrid Berges-Frisbey, que vive o papel de uma misteriosa mulher chamada The Mage – mas de resto o filme dá protagonismo a personagens e temas masculinos, tal como se sucede em trabalhos anteriores de Guy Ritchie, em detrimento de cenas mais leves com elementos de romance.

Até mesmo a modelo Poppy Delevingne, que interpretou o papel de mãe do Rei Artur, criticou subtilmente a sua breve aparição em declarações a um jornal inglês, afirmando que teve apenas seis ou sete linhas de diálogo no máximo.

Dada esta falta de apelo feminino, torna-se mais bizarro ainda que o filme tenha chegado às salas de cinema no fim-de-semana em que se celebra o Dia da Mãe em inúmeros países europeus e nos Estados Unidos, uma ocasião em que as salas de cinema costumam ser inundadas com temas que dão enfoque principal a temas femininos e familiares.

 

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