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10 Filmes que usam o vermelho de forma magistral

10 Filmes que usam o vermelho de forma magistral

Sangue, amor, paixão e luxúria. Estes são apenas alguns dos significados que consciente ou inconscientemente associamos à cor vermelha. Mestres da subtileza e da manipulação, os realizadores utilizam estes artifícios para nos prender ao ecrã durante todo o filme. Dito isto, mesmo que não nos apercebamos, a verdade é que há filmes onde o vermelho é uma peça fundamental. Descubra-os neste post.

Antes de passarmos à lista de filmes, temos algumas curiosidades para lhe contar. Sabia, por exemplo, que as cores quentes (vermelho, laranja e amarelo) são mais chamativas e normalmente despertam maior curiosidade? E que, por oposição, cores frias são tradicionalmente mais calmas e, de certo modo, até mais depressivas?

Embora não pensemos nisso com frequência, se reparar verificará que o seu olhar se prende mais rapidamente a um cartaz colorido do que um que esteja a preto e branco. A cor não é o único fator, mas a verdade é que é extremamente importante.

No caso do vermelho, podemos mesmo dizer que a tonalidade carrega uma força intrínseca, utilizada numa infinidade de filmes,  dos blockbusters aos filmes de terror. O que é mais curioso é que, dependendo do contexto, a cor pode assumir diferentes significados. Se estiver num filme de terror, significa sangue; numa comédia romântica, é sinónimo de paixão.

Vermelho: 10 filmes onde a cor quase é personagem

1 – In the Mood for Love (Wong Kar-wai, 2000)

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In the Mood for Love é provavelmente o filme mais elogiado do realizador Wong Kar-wai. Ao mesmo tempo, trabalha também com a cor vermelha, apelando quer ao sentido visual, quer ao intelectual. A cor vermelha está presente sobre o mais variado tipo de formas e contextos: nos vestidos de Maggie Cheung, nas tapeçarias retro que cobrem as paredes dos pequenos quartos e apartamentos de Hong Kong, nas cortinas de dança quentes e na colcha da cama.

Trabalhada ao detalhe, a cor expressa sobretudo amor, algo que é mais do que óbvio uma vez que o filme tem como título In the Mood for Love. Mas o significado da cor vermelha pode desdobrar-se noutros significados, especialmente tendo em consideração que este é um filme que, a par de temas como paixão e desejo, aborda também o assunto da traição e os medos e traumas associados a esta situação.

2 – American Beauty (Sam Mendes, 1999)

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Quem já assistiu a American Beauty (Beleza Americana), associa o filme de imediato a um dos seus cartazes, mais especificamente aquele onde o corpo nu da jovem atriz Mena Suvari é escondido por pétalas de rosa vermelhas, estrategicamente colocadas. A cor é sinónimo de tentação e está evidente nas cenas em que Lester (personagem de Kevin Spacey) é transportado para o plano do imaginário. Posto isto, resta dizer que ao longo do filme o vermelho vai sendo usado com diversos significados: além da luxúria, pode também significar raiva, frustração e sangue.

Apesar das cenas mais óbvias onde a cor está presente, o filme também se distingue por possuir um lado mais subtil que escapa até ao olhar mais atento. Juntamente com as já referidas pétalas, a cor aparece em vários objetos do quotidiano, da roupa dos personagens até à mobília e outros objetos mais pequenos. O filme é considerado como uma das mais recentes obras-primas do cinema, venceu 5 Óscares e tem assinatura de Sam Mendes.

3 – Belle de Jour (Luis Bunuel, 1967)

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Em Belle de Jour, Buñuel trabalha pela primeira vez com a cor. O realizador, considerado como o padrinho do surrealismo, estabelece uma atmosfera cinematográfica  e sedutora em redor da personagem interpretada pela atriz Catherine Deneuve: uma jovem mulher casada que decide tornar-se prostituta para satisfazer os seus desejos sexuais. Ao longo do filme, a atriz surge frequentemente com um vestido vermelho, numa clara demonstração do desejo carnal e do magnetismo da luxúria.

Logo no início somos introduzidos à atriz no tal vestido vermelho e numa das sequências mais conhecidas do filme. Apesar de se tratar de um sonho, este momento acaba por lançar todo o filme. Basicamente, começa com a atriz a passear, ao lado do marido, numa carruagem. Neste sonho, já usa o vestido vermelho. Subitamente, dá por si a ser arrastada da carruagem, amarrada a uma árvore e a ser chicoteada pelos dois cocheiros, enquanto o marido assiste. O vestido vermelho está sempre presente, demonstrando nesta metáfora o desejo sexual reprimido e condenado.

4 – Sin City (Frank Miller & Robert Rodriguez, 2014)

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Uma das particularidades da cor vermelha é a facilidade com que contrasta com outras cores no meio cinematográfico. Assim, o filme Sin City, que tem como base as cores preto e branco, usa o vermelho para marcar a diferença e chamar a atenção para determinados elementos que se esperam ser vistos em maior detalhe pela audiência. Mesmo que escassos, estes fugazes relâmpagos da cor vermelha acabam por funcionar como um oásis no meio do deserto.

Mais do que simbólica ou metafórica, a cor vermelha entra aqui com um importante papel decorativo. A melhor aplicação desta cor acontecerá, certamente, com o baton e unhas de Eva Green, que incorporam na atriz a cor vermelha e lhe conferem o estatuto de mulher femme fatale que o filme tanto procura demonstrar.

5 – Three Colors: Red (Krzysztof Kieślowski, 1993)

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Three Colors: Red é o último filme de Krzysztof Kieślowski inspirado nas cores da bandeira francesa. À semelhança das obras anteriores, também aqui o realizador fez questão de incorporar a cor retratada nas cenas filmadas. Ao longo da trama, a cor vai desempenhando um papel fundamental, servindo para acentuar emoções, memórias e decisões.

Da roupa aos objetos que a circunda, Valentine (Irène Jacob) está rodeada de vermelho. O filme é uma espécie de retrato dos problemas que afetam a sociedade francesa e até o próprio nome da protagonista parece ter alguma ligação ao vermelho.

Em destaque está também a relação com o homem que ama e um casaco vermelho que representa a relação. De salientar, por último, que a cor é usada com mais do que um significado: além da paixão, significa perigo, raiva e até desapontamento.

6 – The Red Balloon (Albert Lamorisse, 1956)

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The Red Baloon (Le Ballon Rouge, no título original) passa-se em Paris e conta a história de um rapaz que, certo dia, decide atravessar a rua com um balão vermelho na mão. É então que se apercebe que o balão tem vida própria e consegue tomar as suas próprias decisões, a mais importante das quais é a de que quer acompanhar o rapaz, seguindo-o para todo o lado.

Ao contrário da grande maioria dos filmes anteriores, a cor vermelha é usada para acentuar a inocência da infância, destacando o contraste entre este período da vida e monotonia do quotidiano dos adultos. Numa utilização diferente da cor, The Red Baloon põe em evidência o poder do sonho, tão característico das crianças e para o qual não há obstáculos. O vermelho é sinónimo de uma alegria que já todos tivemos e que se manterá, pelo menos, enquanto a infância durar.

7 – I’m a Cyborg but that’s OK (Park Chan-wook, 2006)

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I’m a Cyborg but that’s OK é o único filme de Park Chan-wook possível de encaixar no género comédia romântica. A história acompanha uma jovem rapariga, Young-goon, que está hospitalizada num centro psiquiátrico depois de, alegadamente, ter tentado cometer suicídio. Mas a verdade é que esta demência de que a personagem padece fá-la acreditar que é um robot e, dessa forma, não faz qualquer tipo de sentido que se tenha de comportar como um humano. Dentro do manicómio, conhece Il-soon, um rapaz esquizofrénico, cleptomaníaco que rapidamente se apaixona por ela.

O filme baseia-se sobretudo em cores mais frias e neutrais, como é o caso do azul, verde e branco. No entanto, há uma cena crucial em que a protagonista aparece vestida com uma peça de roupa de um vermelho escarlate, muito vivo, que lança um contraste cromático interessante. Essa mesma cena corresponde ao momento em que a personagem se tenta suicidar, cortando os pulsos, na tentativa de ligar os cabos elétricos que fazem dela um robot.

8 – Schindler’s List (Steven Spielberg, 1993)

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Se já viu Schindler’s List (A Lista de Schindler), provavelmente está a questionar-se como é que um filme que foi gravado a preto e branco pode estar entre aqueles que melhor utilizam a cor vermelha. É verdade que a Lista de Shindler, de facto, usa maioritariamente estas duas tonalidades, mas há cenas específicas em que a consistência cromática é posta de lado: a primeira é logo no início, quando vemos as mãos a acenderem uma vela que acaba por se extinguir no final; a segunda para mostrar uma rapariga de casaco vermelho.

Atendendo ao contexto, podemos afirmar que a cor vermelha pode simbolizar várias coisas consoante do momento da narrativa. No caso da vela, é símbolo de luz, de início e de fim. No caso da menina, o casaco que veste pode significar inocência, vitalidade da infância, servindo principalmente para criar um contraste com a sensação de morte que paira no ar durante o holocausto.

9 – Pleasantville (Gary Ross, 1998)

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Em Pleasantville (Uma Viagem ao Passado), as personagens principais – dois irmãos adolescentes, nos anos 90 – vêem-se de súbito atirados para dentro de uma comédia de 1950, a preto e branco, que acontece numa cidade chamada Pleasantville. Perante esta nova realidade onde as próprias personagens se vêem a si mesmas a preto e branco, qualquer relance de uma cor diferente é de imediato notada. E é exatamente essas mesmas cores que os dois irmãos, vindos do futuro, trazem para aquela realidade monótona. A pouco e pouco, certas pessoas e objetos ganham cor.

A cor vermelha é a primeira a ser introduzida neste universo a preto e branco, surgindo nas pétalas de uma rosa e assumindo-se como um símbolo de paixão, sexualidade e juventude numa sociedade frívola. Ao longo do filme, o vermelho continua a destacar-se, seja em objetos ou em peças de roupa de determinadas personagens.

10 – Amélie ( Jean Pierre Jeunet, 2001)

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Em Amélie, também conhecido como O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, somos introduzidos a uma personagem que vê o mundo de um modo ligeiramente esquizofrénico, graças à forma como os seus pais a trataram enquanto criança. Certos de que a filha tinha um problema cardíaco, mantiveram a pequena Amélie longe de qualquer excitação e de outras crianças, para que não sofresse nenhuma complicação grave.

A forma como vês s pessoas, os sentimentos e os próprios objetos apoia-se, por isso, numa grande utilização das cores. E aqui o vermelho assume uma grande importância, funcionando como uma base para todas as sensações agradáveis do filme. Acrescenta ao ecrã aquela atmosfera de conforto e segurança que sentimos ao ver Amélie.

A própria infância de Amélie, que foi tão peculiar, é representada com uma forte utilização da cor vermelha: a emblemática cena em que come amoras vermelhas, na ponta dos dedos, é uma demonstração da felicidade e inocência de uma pequena rapariga.

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Comentários

  • 06 dezembro, 2015

    Acho super interessante esses assuntos, e sempre reparo nisso.
    Comecei a reparar no filme O Sexto Sentido, em que a cor vermelha é retrata várias vezes.
    Reparei que o filme Stigmata (1991), usa em quase todas as cenas a cor vermelha, mas não achei o significado. Você sabe qual é?
    Adorei a lista!

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