Por norma, quando vemos um filme, não questionamos sequer o seu argumento. Absolutamente rendidos com a interpretação fantástica (ou não) dos atores em cena, ficamos convencidos de que cada frase proferida pelas personagens, cada gesto executado e até mesmo cada expressão facial está de acordo com o argumento e as orientações dadas pela realização e produção do filme.
No entanto, em certos filmes emblemáticos alguns atores atreveram-se a improvisar e a sair fora do combinado no argumento. Em vez de terem recebido um “Corta!” do realizador, receberam exatamente o contrário: a aprovação de toda a equipa do filme. A cena acaba por ser incluída no filme chegando mesmo a tornar-se icónica.
Não acredita? Ao longo dos próximos parágrafos vamos desvendar alguns dos casos em que atores e atrizes decidiram dar asas à imaginação e dar forma a cenas improvisas que marcaram sem sombra de dúvidas o cinema. Prepare-se para ficar surpreendido!
10 cenas improvisadas que marcaram filmes de sucesso
No famoso filme O Padrinho, Vito Corleone (interpretado por Marlon Brando) é o líder da poderosa família da máfia italiana. Através de vários diálogos a personagem de Brando impõe o seu respeito e autoridade, como se sucede por exemplo no momento em que discute a morte de um homem que tinha espancado uma jovem mulher. Os fãs saberão de certo que esta cena conta com a presença de um gato que Vito Corleone vai acariciando enquanto fala, calmamente, sobre o que deve ser feito. Esta situação foi totalmente improvisada: o gato não fazia sequer parte do argumento do filme.
Uma das cenas mais conhecidas e impressionantes na história da carreira de Heath Ledger foi a personagem de Joker. No entanto, são poucos os fãs a saber que a cena em que a personagem bate palmas de forma lenta foi totalmente inusitada, um ato de improviso de Heath Ledger. No mesmo filme, o ator voltou ainda a dar o seu toque de improviso a Joker, fingindo que o disparador de uma bomba estava preso quando, na verdade, tudo o que tinha a fazer era sair do hospital.
No filme RoboCop, na cena em que Clarence Boddicker (Kurtwood Smith) é levado pela polícia, vemo-lo a cuspir uma bola de sangue para um papel e a dizer “Dá-me o meu maldito telefonema!”. Esta cena, que foi totalmente improvisada, acabou por merecer a aprovação de Paul Verhoeven que acabou por incluí-la no filme.
Todos conhecemos a história romântica do filme Pretty Woman. Nesta longa metragem, Edward Lewis (Richard Gere) oferece a Vivian Ward (Julia Roberts) um colar. No momento em que Vivian estica a mão para tocar no colar, Edward fecha a caixa. Este pequeno improviso por parte de Richard Gere provocou de tal forma uma gargalhada a Julia Roberts que o realizador, Garry Marshall, decidiu incluia-la no filme.
Na cena em que John Malkovich está a andar pela rua e passa um carro que lhe tira uma lata, o ator grita totalmente surpreendido: surpreendido até de mais. Esta cena, que foi incluída no filme, foi totalmente inesperada e improvisada. O carro que passou na rua não era do conhecimento de ninguém da equipa de produção mas, por ser tão real e genuíno, gerou uma cena digna de ser incluída na edição final.
No segundo filme de Harry Potter, depois do feiticeiro regressar vitorioso da Câmara dos Segredos, a personagem de Lucius Malfoy (Interpretada por Jason Isaacs) recebe uma descompostura por parte de Dumbledore. Ao deixar o gabinete, o ator sentiu no entanto que lhe faltava pronunciar uma linha e decidiu sair fora do argumento. Assim, diz “Esperemos que o Mr. Potter esteja sempre lá para salvar o dia”. A cena, totalmente improvisada, recebeu um improviso de volta: Daniel Radcliffe, com apenas 12 anos, respondeu algo que Isaacs não esperava: “Não se preocupe. Lá estarei.”
No segundo filme da saga original de Star Wars, quando Han Solo (interpretado por Harrison Ford) está prestes a ser congelado, a Princesa Leia (Carrie Fisher) revela o seu amor pela personagem. Todavia, como os fãs sabem, Han Solo responde depois: “Eu sei”. Esta fala, no entanto, foi pura improvisação. O argumento original mostra Han Solo a retribuir o seu amor a Leia, respondendo que também a ama.
Neste clássico do cinema, acompanhamos a história do capitão Miller – vivido por Tom Hanks. Numa das cenas do filme, quando Miller faz uma pausa no combate e se encontra com Ryan (Matt Damon) para trocar histórias sobre como idealiza o regresso a casa, Ryan conta uma história acerca dos seus irmãos. Ainda assim, esta pequena história comovente não consta no argumento: tudo partiu da imaginação de Damon.
No filme Tubarão, na cena em que o oficial de polícia Brody (Roy Scheider) tem o primeiro contato com o tubarão e percebe a sua dimensão, levanta-se com pressa e, improvisando, fala com o capitão Quint, apontando de que necessitará de um barco maior para lidar com a criatura marítima. Esta frase, que se tornou icónica, foi também improvisada por Roy Scheider no momento de representar.
Após ver um filme, uma das primeiras coisas que faço é ouvir a banda sonora. Acredito que a imagem e o som conseguem (pelo menos na maior parte dos casos) contar tão bem a história como as próprias personagens em si. E mais do que isso: parece que o filme se prolonga e que o vou vendo e revendo na minha cabeça, mantendo-o perto mesmo depois do fim.