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Mário Augusto: histórias nos bastidores de Hollywood

Bastidores de Hollywood

Mário Augusto: histórias nos bastidores de Hollywood

 

Ninguém conhece tão bem os bastidores de Hollywood como Mário Augusto. Há cerca de 30 anos que o jornalista convive directamente com as estrelas da Sétima Arte de quem guarda histórias, experiências e segredos. É desta forma que, em 2005, decide publicar o livro “Nos Bastidores de Hollywood” para partilhar algumas das suas histórias.

Neste livro com mais de duzentas páginas, encontram-se histórias como a de Marilyn Monroe que precisou de 58 takes para conseguir reproduzir uma deixa em que dizia apenas sete palavras no filme “Quanto Mais Quente Melhor” ou a de Harrison Ford que ficou KO por causa de um soco do actor português Joaquim de Almeida ou as gafes de Mário Augusto, como a já conhecida história das patinhas de caranguejo.

Mário Augusto: a causa por detrás do livro

Na altura do lançamento do primeiro livro, o jornalista Mário Augusto esteve em Espinho, na Biblioteca Municipal, onde falou não só do seu trabalho, mas da forte ligação que tem com a cidade desde os tempos áureos do Cinanima (festival de cinema em Espinho).

Durante uma sessão de apresentação, Mário Augusto partilhou algumas das suas histórias em jeito de apresentação ao livro. Ao longo de muitos anos, já realizou mais de duas mil entrevistas, algumas mais divertidas do que outras. Entre os entrevistados, recorda que Dustin Hoffman é um dos actores de “que mais gosto” e que se recusa a entrevistar Steven Seagal novamente por ser “um grande canastrão. Foi o que menos gozo teve na entrevista, pois só me respondia sim, não ou talvez. Faz parte da minha lista negra”, contou.

Além da curiosidade que o tema dos Bastidores de Hollywood tem suscitado, nomeadamente junto do público mais jovem, o jornalista explicou a causa para qual reverte o dinheiro ganho com os direitos de autor. As verbas foram direccionadas para a Fundação Gil e para a ajuda de instituições que prestam auxílio a doentes com paralisia cerebral, uma realidade que conhece bem de perto.

“Tenho uma filha que tem paralisia cerebral, não é um caso extremamente dramático. Por assistir a dramas humanos verdadeiramente complexos nos centros de paralisa e nas instituições que apoiam esses doentes, achei que era uma forma simpática de canalizar o meu trabalho para esta causa”, explicou. Inicialmente pensou que seria “um acto de pretensiosismo” escrever o livro, apesar de ainda continuar a achar “que não nos podemos armar em escritores”.

Para Mário Augusto, a maior dificuldade em aceitar o desafio passou essencialmente “por pensar que não conseguia. Sou um jornalista de televisão, com uma carreira toda feita a partir da imagem, o que é muito diferente de escrever para um jornal ou revista”, embora tenha experimentado este lado do jornalismo.

Nos Bastidores de Hollywood: um olhar próximo às estrelas

O livro Nos Bastidores de Hollywood – Histórias e Segredos das Estrelas do Cinema retrata precisamente a vida de um jornalista que regularmente com as estrelas da Sétima Arte, com textos relativos a mais de 30 vedetas (realizadores e actores), numa viagem por factos, realidades, experiências pessoais, histórias e segredos.

“Costumo ver todos os filmes que estreiam. Para mim, o Million Dollar Baby é o filme mais apaixonante que vi até hoje. “O Aviador” também é bom, mas torna-se algo chato”, confessou Mário Augusto, que descreveu em seguida o percurso algo inusitado de Harrison Ford.

 

“Antes de ser actor, tirou o curso de carpinteiro e começou por fazer uns biscatos. Como arranjava portas na casa do realizador George Lucas, teve uma oportunidade no filme “American Graffiti”. Era um actor barato e servia. Depois, foi tão bom que passou para o lado de lá da tela”.

Considerando Tom Cruise “extremamente simpático” e Steven Seagal “intratável”, Mário Augusto revela um capricho de Nicolas Cage. “Entrevistei-o recentemente em Madrid e exigiu 14 limousines. Uma para ele, outra para o colaborador, outra para o tratador do cão, outra para o cão…”, pormenorizou, em tom de ironia.

Coleccionador de cinema, Mário Augusto confessa-se um cinéfilo assumido. Nos seus arquivos, possui cerca de 800 filmes. “Não tenho nenhum pirata”, disse, revelando ainda que era “incapaz de entrar como actor num filme”, mas que “gostava de realizar uma película cinematográfica”.

Com Angelina Jolie no elevador

Introduzindo um conceito inovador, propôs à editora do seu livro o lançamento paralelo de um DVD. “Tentei fazer alguma coisa de diferente e optei por conceber um programa de televisão específico com edição em DVD, de molde a comprovar com imagens as histórias narradas ao longo do livro. Quem conseguir resistir à tentação de ler primeiro o livro e depois o DVD, garanto que dar-lhe-á um gozo enorme, porque depois pode comprovar os detalhes narrados ao longo do livro”.

Mário Augusto conta que “os autógrafos que as estrelas me vão dando também estão incluídas no livro, com dedicatórias muito engraçadas. Aliás, o livro é um depositório de histórias que estão para além das entrevistas e do contacto que as pessoas vêem na televisão”.

E sobre este respeito voltou a atalhar a conversa, sempre em tom informal: “A última vez que estive com a Angelina Jolie foi em Los Angeles a propósito do filme “Alexandre, O Grande”. No final da entrevista, vim o tempo todo com ela no elevador e, por mais que não quisesse, estava sempre a olhar para os lábios da senhora para tentar perceber se tinham ou não silicone. E acho que não têm…”, complementou, provocando novos sorrisos entre a audiência na Biblioteca Municipal de Espinho.

Com dois livros publicados, Mário Augusto rejeita a denominação de escritor de livros. Quer ser conhecido como “apenas um jornalista do cinema” e é por isso que, segundo explicou às dezenas de presentes no encontro, o total das receitas do direito de autor vai reverter a favor da Fundação do Gil para que seja possível o apoio a doentes com paralisia cerebral.

O jornalista pretende, assim, alertar para este problema e não aceita a ideia de ganhar dinheiro com um projecto, que é apenas o reflexo da sua enorme paixão pela profissão e a partilha de situações hilariantes com quem as lê. No final da noite, Mário Augusto brindou os presentes com a projecção de algumas das melhores imagens que se encontram descritas no livro, arrancando muitas gargalhadas a todos.

 

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