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David Prowse: a polémica história do ator que foi Darth Vader

David Prowse: a polémica história do ator que foi Darth Vader

 

O mundo conheceu um dos vilões mais icónicos do cinema em 1977. Por todo o mundo, chegava nesse ano às salas de cinema o filme Star Wars, uma longa-metragem de ficção científica que, sem se fazer anunciar, tornou-se num verdadeiro sucesso de bilheteiras, confirmando a produção de uma sequela. Nesta história, além de sermos introduzidos a Han Solo, Luke Skywalker, a Princesa Leia Organa e o Jedi Obi-Wan Kenobi somos também apresentados ao temível Darth Vader.

Este vilão de corpo imponente, alto, com o rosto escondido por debaixo de uma máscara aterradora e todo ele vestido de negro incorporava em si a essência do mal. A tensão dos movimentos, a voz mecânica entrecortada por uma respiração aflitiva e todo o poder associado à personagem foram suficientes para imortalizar Darth Vader como uma das personagens mais icónicas de sempre. Mesmo quem nunca viu os filmes Star Wars admite estar familiarizado com a figura desta personagem.

No entanto, quem é o homem por debaixo do fato de Darth Vader? Que rosto se esconde por detrás da máscara? Ao contrário do que muitos fãs acreditam, o rosto do verdadeiro Darth Vader – pelo menos aquele que vestiu mais vezes o fato da personagem – não é o que surge no final do Episódio VI – O Regresso de Jedi. Neste post, contamos a história de David Prowse, o Darth Vader que foi afastado pela Lucas Film para “uma galáxia muito, muito longe” da de Star Wars.

David Prowse: Darth Vader mas só em corpo

Pela altura em que George Lucas começou a produzir o primeiro filme de Star Wars, Uma Nova Esperança, começou-se a procurar um ator capaz de caracterizar a personagem de Darth Vader. O ideal seria encontrar alguém imponente, alto e forte, capaz de transpirar medo através da agilidade do seu corpo.

A escolha recaiu no ator e culturista David Prowse, um homem com 1,90 metros de altura que trabalhava então num ginásio no Harrods e tinha vestido a pele de personagens do cinema, como o Monstro de Frankenstein e Julian, em A Laranja Mecânica. Após algumas entrevistas a candidatos ao lugar do vilão, não foi difícil chegar a um consenso.

Embora as filmagens de Star Wars tenham decorrido sem qualquer problema, quando o filme chegou ao cinema David Prowse percebeu que a sua voz não tinha sido usada, apesar de ter dito cada fala do filme durante as gravações. Porquê esta mudança? Um dos motivos apontados era o seu forte sotaque sulista, que não combinava com o cenário futurista montado com Star Wars.

Porém, o que significava isto para David Prowse? A resposta é simples: mesmo que o seu corpo estivesse no filme, estava devidamente disfarçado e nem a voz, o único elemento que o poderia identificar, tinha sido utilizado. Esta voz pertencia ao ator James Earl Jones e encontrava-se também ela manipulada pela respiração mecânica que acompanha a voz de Darth Vader.

Entretanto, não muito depois, ainda no ano de estreia do primeiro filme da saga, acontece um dos primeiros incidentes de David Prowse com a imprensa, que deixou George Lucas e a sua equipa de pé atrás.

David Prowse: o palpite que estava (demasiado) acertado

Por esta altura, o sucesso de Uma Nova Esperança tinha justificado a produção da sequela O Império Contra-Ataca, que estava em fase de produção. O primeiro filme de Star Wars tinha, aliás, sido produzido para funcionar como filme único e sem continuação.

Em entrevista a um jornal britânico, David Prowse respondeu a uma pergunta sobre como gostaria que fosse o enredo de uma eventual sequela. A sua opinião era uma: que Darth Vader fosse o pai de Luke Skywalker, criando um dos momentos mais dramáticos da história do cinema, em que o herói acaba por ser revelado como o filho do vilão. Estávamos ainda a cerca de 2 anos da sequela e do grande momento cinematográfico em que Darth Vader faz esta revelação. Os argumentos eram ainda rascunhos. Era impossível que David Prowse soubesse que era realmente esta a intenção de George Lucas.

Mas aquele palpite tão acertado (talvez demasiado acertado) foi suficiente para que daí em diante a Lucas Film se salvaguardasse de David Prowse e do que dizia para os jornais. A precaução da foi tal que, nas gravações de O Império Contra-Ataca, o argumento foi adaptado para que nem o elenco soubesse que estava a gravar cenas importantes e emblemáticas.

 

Foi exatamente isso que aconteceu com a famosa cena em que Darth Vader revela a Luke Skywalker, interpretado por Mark Hamill, que é seu pai.

 

Esta cena foi feita com diálogos diferentes. Em vez de dizer “Luke, I’m your father”, David Prowse terá dito “Obi-Wan matou o teu pai”, ao qual Luke responde com o grito “Não!”. A cena foi mais tarde editada, em fase de produção, e a fala verdadeira – conhecida apenas por George Lucas e elementos próximos da produção – acrescentada com a voz de James Earl Jones.

Uma vez mais, David Prowse – tal como tantos outros e a maior parte do elenco – só soube a verdade (a mesma verdade que tinha previsto anos antes) no cinema.

David Prowse: notícia de uma “morte” anunciada

Estamos agora a 11 de janeiro de 1982. É neste dia que têm início as filmagens de O Regresso do Jedi, o filme que encerra a trilogia original de Star Wars. Uma vez mais, a Lucas Film decidiu salvaguardar a história e assegurar que David Prowse se mantinha afastado dos momentos mais importantes do filme. Como contou David Prowse em entrevista a Marcos Cobotá para o documentário I Am Your Father, a relação com Richard Marquand – realizador deste último capítulo – era muito má.

Como impedir então que David Prowse soubesse que Darth Vader ia morrer? Parecia existir apenas uma solução: deixá-lo fora dessa cena. A equipa da Lucas Films estava consciente do que seria feito e manteve o segredo. No dia em que as cenas foram filmadas, todas as portas do estúdio foram fechadas e vigiadas por seguranças.

Porém, algo inesperado aconteceu alguns dias depois. Um jornalista do Daily Mail contacta David Prowse com perguntas concretas: o que tinha ele a dizer sobre o facto de Darth Vader morrer? E era mesmo verdade que tinha sido utilizado outro ator para fazer essa cena? Surpreendido, David Prowse esclarece que não sabia nada sobre o facto de ter sido substituído e alega que também não sabe se será esse o fim ou não.

O pior chega no dia depois. Na edição do jornal do dia 29 de julho de 1982 (cerca de 10 meses antes da estreia) surge a seguinte notícia: Darth Vader vai ser morto no próximo filme da saga Star Wars – Uma entrevista exclusiva com David Prowse. Ainda que Prowse não passasse de um dano colateral naquele caso, a verdade é que quando George Lucas o chamou ao gabinete foi para o considerar culpado. Desde então que a ira de George Lucas se tem demonstrado, mesmo tendo passado mais de 30 anos. Prova disso é o facto de continuar a ignorar David Prowse, que não é convidado há anos para convenções oficiais de Star Wars.

Em resposta a este afastamento, David Prowse lamenta todo o sucedido e o mal-entendido. “Se tivesse sido responsável, teria pedido desculpa, obviamente”, garantiu David Prowse, no documentário I Am Your Father. A pessoa que alimentou a imprensa com informação do filme O Regresso do Jedi não foi ele, tal como chegou a confirmar o próprio Daily Mail. A fonte do telefonema que foi feito para a redação do jornal britânico continua ainda hoje por identificar, embora seja quase certo que foi alguém da equipa da Lucas Film que esteve presente nos estúdios durante a filmagem da cena fatídica.

Ainda assim, os fãs não esquecem David Prowse e o ator continua a participar em inúmeras convenções por todo o mundo e a ser reconhecido, pelos fãs mais aferrenhados, como o homem por de trás da máscara de Darth Vader. O ator recebeu, em 2000, a Medalha da Ordem do Império Britânico pela sua interpretação do Green Cross Code, personagem que interpretou durante 14 anos e que ensinava as crianças a atravessar a rua.

Atualmente, vive com a mulher, em Croydon, nos arredores de Londres. A sua história pode ser vista no documentário I Am Your Father, realizado por Marcos Tobotá e Toni Bestard, que procuram filmar de novo a emblemática cena que foi “roubada” a David Prowse no último filme da trilogia.

 

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