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Um Conto de Natal: uma série sombria, fria e imperdível!

Um Conto de Natal: uma série sombria, fria e imperdível!

     

A Christmas Carol é o título original da minissérie de 3 episódios com assinatura da BBC e a mais recente das inúmeras adaptações do conto clássico de Charles Dickens de 1843. Adaptada por Steven Knight, realizada por Nick Murphy e com nomes como, entre outros, Ridley Scott e Tom Hardy na produção executiva, Um Conto de Natal foi aguardada pelo público com ansiedade.

Lançada a 22 de Dezembro de 2019 com enormes expectativas para serões de Natal, a sua recepção foi bastante polémica. Entre o 1º e os restantes dois episódios houve um enorme declínio nas audiências. Enquanto uns a louvaram pelo seu carácter sombrio e severo, outros acharam absolutamente desadequado à época natalícia.

Num aspecto existe consenso, a performance de Guy Pearce é um dos pontos altos da série. De expressão fechada, ar severo e com uma rouquidão na voz que revela o seu desdém pelos valores e moral humanos, Pearce encarna o espírito de Ebenezer Scrooge na perfeição.

A estória começa na véspera de Natal. Num cemitério vê-se um rapaz a urinar na campa de Jacob Marley (Andy Serkis), sócio de Scrooge, falecido há 7 anos. Se com esta introdução os espectadores não perceberam o que aí vinha, então nada o faria.

Após uma visita ao purgatório, onde lhe é oferecida uma corrente em que cada elo representa uma morte causada pela sua sofreguidão, Marley encontra-se com o espírito do Natal passado, que lhe diz que não terá descanso eterno se o seu sócio e amigo não se arrepender também.

 

Numa tentativa de salvar a sua eternidade, Marley assombra Ebenezer, prevenindo-o que “a realidade é uma decisão” e que os actos que definiram a sua vida terrena estão a definir a sua vida eterna e que assim o será para ele. Para se redimir será visitado por três espíritos, o espírito do Natal passado (Andy Serkis), presente (Charlotte Riley) e futuro (Jason Flemyng), que lhe mostram memórias passadas, o presente na perspetiva de outros, e como terá fim a sua triste vida.

As suas viagens, guiadas pelos espíritos, são emocionalmente pesadas e exploram, de uma forma bastante mordaz, o mal que sofreu e o mal que provoca. Mas com Ebenezer Scrooge não há espaço para respirar, o negrume da sua alma tinge qualquer tentativa de humanização. Apesar do seu passado trazer alguma compaixão ao espectador, ela logo é esquecida. A redenção final é deixada em aberto com um comentário aos espíritos: “ainda há trabalho a fazer”.

Um Conto de Natal é essencialmente uma série sombria e fria, aconchegada com a ironia do desprezável Scrooge, e imperdível para quem gosta de uma estória clássica com efeitos especiais exemplares. O carácter existencial, as decorrentes reflexões de Ebenezer sobre comportamento e motivações humanas, exploração e pobreza, tornam-na actual, agora e sempre.

 

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