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The Interview: quando a Internet é usada para censurar a liberdade

The Interview: quando a Internet é usada para censurar a liberdade

 

Em dezembro de 2014, ninguém estava à espera que os Guardians of Peace – um grupo de hackers – atacasse o sistema informático da Sony Pictures e saísse bem-sucedido, roubando várias informações confidenciais assim como o filme The Interview, interpretado pelos atores Seth Rogen e James Franco. O filme tinha estreia marcada para cerca de uma semana depois, mais precisamente para o dia 16 de dezembro.

No filme, seguimos a história de dois jornalistas que, ao conseguirem uma entrevista com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-Un, são rapidamente abordados pela CIA, que os recruta para matar o ditador. O pretexto para o assassinato seria uma entrevista, a mesma que dá o nome The Interview ao filme. De uma forma cómica e exagerada, o filme retrata o ditador norte-coreano de uma forma considerada ofensiva por todos os seus apoiantes.

Para além da gravidade deste roubo, os Guardians of Peace levaram a ameaça mais longe: se algum cinema transmitisse ‘o filme terrível da Sony’, como o descreveram, os EUA voltariam a viver momentos trágicos como os ocorridos a 11 de setembro de 2001. Todos os espectadores que se dignassem a pagar para ver o filme estavam, portanto, em risco.

Como expectável, a ameaça provocou inúmeras reações entre os fãs. Em poucas horas, a maioria dos cinemas decidiu não transmitir o filme e a Sony, apesar de não se pronunciar nas primeiras horas, acabou por confirmar o que se esperava: o cancelamento da distribuição do The Interview.

A partir daqui, o assunto ganhou uma nova dimensão: a Internet, vista como um meio de expressão livre, tinha sido usada para censurar conteúdos, roubar informações e tecer ameaças. Estava certo deixar passar este assunto e aceitar a decisão da Sony?

The Interview: no final, o filme sempre foi visto

Ainda antes do ataque cibernético, o The Interview já tinha gerado polémica. Na altura em que o trailer saiu, o governo norte-coreano não tardou a emitir a sua opinião, classificando o filme um ‘ato de guerra’. Uma retaliação impiedosa foi prometida caso os EUA permitissem a distribuição do filme.

Embora a Coreia do Norte tenha negado estar envolvida no ataque informático à Sony, foi publicamente reconhecido que o ataque cibernético se tratou de um ato de justiça. Por outro lado, o Presidente norte-americano Barack Obama garantiu que Washington responderia de forma proporcionada à Coreia do Norte. Mas as críticas também se dirigiram à Sony, por ter cometido um erro ao cancelar a distribuição do filme.

 

Entretanto, circularam opiniões de alguns críticos de cinema que tiveram oportunidade de ver o filme. A revista norte-americana Variety, por exemplo, disse que o The Interview é uma “suposta sátira tão divertida quanto uma escassez de alimentos à comunista”. A imprensa chinesa considerou que o filme é de uma “arrogância cultural absurda”, mantendo a sua posição ao lado do aliado norte-coreano.

Mas os fãs, além de assinarem petições online para trazer o filme de volta e criarem páginas de apoio nas redes sociais, temeram que o filme nunca visse a luz do dia. George R. R. Martin – conhecido pelos livros que inspiraram a série da HBO Game of Thrones – disponibilizou o seu cinema Jean Cocteau para transmitir o The Interview.

A par com a investigação levada a cabo à Coreia do Norte – que resultou mesmo num bloqueio ao acesso à Internet –, a Sony anunciou que o lançamento do The Interview aconteceria dia 25 de dezembro, em mais de 300 cinemas independentes. Entretanto, o filme foi também posto à venda ou a alugar na Internet através de serviços de streaming como Google Play, Xbox Video e Youtube.

Em poucas horas, o filme que supostamente seria condenado ao esquecimento foi divulgado por toda a Internet. Provando afinal que, na Internet, é possível acontecer tudo, mas que a liberdade é quem tem a última palavra.

 

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