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Uma reflexão sobre a magia e a emoção de ir ao Cinema

Uma reflexão sobre a magia e a emoção de ir ao Cinema

 

A minha primeira memória de ida ao cinema é de ir com o meu pai ver o filme Fantasia (1940), de Walt Disney. Foi uma experiência desastrosa. Apesar da paciência e boa vontade do meu pai, eu tive pavor do filme e insisti que ele me levasse para fora da sala e do edifício. Foi a única vez que eu saí da sala de cinema a meio de um filme. Tinha cinco anos.

O resto da minha vida tem sido a reconciliação da emoção e magia de ir ao cinema com a minha desastrosa primeira experiência. Em criança, eu nunca considerei a opção de ter uma carreira no cinema. Isso deveria ter sido uma primeira escolha óbvia para mim. A minha vida inteira foi passada em frente a uma tela de cinema ou um ecrã de TV, mas eu atribuo esta minha relutância ao efeito da minha primeira experiência com o filme Fantasia.

Quando eu comecei a ter uma mesada e a poder sair com os meus amigos, rapidamente percebi que era viciada em cinema. O meu passatempo preferido era ir ao cinema. O melhor plano para fazer com a melhor amiga, namorado ou amigos era ir ao cinema, portanto eu estava sempre a par dos filmes que passavam, que na época não eram assim tantos, portanto como ia ao cinema mais do que duas vezes por semana arriscava-me sempre a ver algum repetido. Estamos a falar do início da década de 90. Finalmente, quando fui confrontada com a possibilidade de escolher um campo de estudo superior, eu percebi que só me interessava por cinema.

Não há nada como ir ao Cinema

Eventualmente, inscrevi-me num curso de som e imagem, onde tive a oportunidade de experimentar fazer filmes com uma excelente professora, a premiada Joan Braderman – e um novo mundo abriu-se para mim, não o mundo do cinema de fantasia, mas o mundo do filme documentário. A possibilidade de conhecer e interagir com pessoas novas e novas culturas adequaram-se aos meus ideais de vida como uma luva.

Desde então tenho estado constantemente envolvida na criação do meu atual documentário ou a planear o meu futuro documentário, ou ambas as coisas em simultâneo. Ainda estou dois projetos atrasada por isso tenho que descobrir uma maneira de recuperar o atraso em breve ou vou acabar soterrada nas minhas ideias antigas.

 

É fácil pensar que estar tão envolvida com a sétima arte diminuiria a emoção de entrar na sala de projeção ou o desejo de ir ao cinema, mas para mim o que acontece é exatamente o oposto. Acho que tenho um desejo cada vez maior, de assistir, ver e conhecer tudo sobre cinema.

Para mim, a ideia de que a emergência dos novos meios de comunicação (que permitem assistir aos filmes que quisermos, confortavelmente no sofá, com som surround, etc.), poderia precipitar o fim de ir ao cinema não soa a verdadeiro. Só posso concluir que a magia e emoção que eu sinto quando entro numa sala de cinema também são sentidas por milhões de pessoas e é uma experiência que, apesar de ser solitária, é compartilhada. Há algo de extraordinário naqueles momentos em que uma pessoa está (por vezes sozinha) entre muitos outros que partilham a mesma energia e emoção.

Tudo isto torna a experiência de ir à sala de cinema um acontecimento único. Apesar de o nosso estado de espírito influenciar a nossa escolha do filme quando, juntamente com os nossos companheiros cinéfilos, somos confrontados com a história existe sempre algum tipo de catarse. Assim, o filme pode ser muito terapêutico, pessoal e coletivamente galvanizante. Na verdade, quando nós entramos na sala de cinema esperamos tanta coisa que considero firmemente que este ritual é realmente insubstituível.

Acredito agora que, de alguma forma, a minha primeira experiência com o filme Fantasia me acordou e me fez querer compreender o meio. Desde o primeiro momento eu percebi – intensamente – o poder do cinema!

 

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