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Quais as melhores performances cinematográficas de 2014?

Quais as melhores performances cinematográficas de 2014?

 

2014 foi um ano em cheio para a indústria do cinema. Para a história ficarão acontecimentos como o regresso de Michael Keaton, em Birdman, ou Steve Carrell numa atuação surpreendente em Foxcatcher. Performances cinematográficas excelentes e filmes que ficam na memória são alguns dos pontos positivos a destacar. Do lado mais negativo, podemos falar da falta protagonistas femininas entre os melhores filmes nomeados para os Óscares – apesar de papeis inesquecíveis Julianne Moore, em Still Alice, ou de Felicity Jones, em A Teoria de Tudo.

Polémicas à parte, fazemos neste post uma retrospetiva do ano para salientar 15 performances cinematográficas que sobressaíram. Antes de passarmos às atuações, devemos todavia referir que fazer uma lista deste género é sempre um trabalho inglório. De fora ficarão vários atores e atrizes com um trabalho notável e que merecia também ele ser destacado. Por este motivo, se para si, a performance cinematográfica do ano não está entre estes nomes, deixe-nos a sua sugestão nos comentários. Afinal, como todas as artes, o cinema também tem um lado subjetivo.

15 das melhores performances do ano de 2014

Ethan Hawke (Boyhood)

A qualidade interpretativa de Ethan Hawke já não é novidade para ninguém. Numa performance soberba em Boyhood, o ator voltou a trabalhar com Richard Linklater (da trilogia Before) para dar vida a um pai separado, que acompanha o crescimento dos filhos ao longe, mas sem nunca os perder de vista.

Como é sabido, Boyhood demorou 12 anos a ser gravado, sendo também este o período em que a história se desenrola. Crescendo com a história, o personagem de Hawke evolui de um pai precoce e inconformado para um homem maduro e com uma perspetiva adulta da vida. A atuação valeu ao ator a quarta nomeação para os Óscares.

Felicity Jones (A Teoria de Tudo)

Com uma carreira relativamente curta, Felicity Jones tornou-se alvo das atenções ao representar Jane Hawking, noiva e esposa de Stephen Hawking (Eddie Redmayne). Capaz de transparecer uma química única, o casal brindou os espetadores com uma performance forte conjunta e separadamente.

A Teoria de Tudo foca-se na evolução da doença de Stephen Hawking que, um cientista brilhante que lentamente vai perdendo as faculdades físicas. Apesar da degradação física, o homem mantem-se consciente. Ao longo da trama, Jane, jovem e saudável, mantem-se ao lado do marido, passando por situações emocionalmente complexas. Sem dúvida, uma atuação que ficará na memória e que valeu à atriz a primeira nomeção para os Óscares, como atriz principal.

Essie Davis (Babadook)

Babadook é uma mistura de terror, drama e suspense. No centro do filme está Essie Davis, atriz que desempenha o papel de Amelia, uma jovem mãe que ficou viúva recentemente. Num relato forte e vivo sobre a perda, encontramos uma história que oscila entre momentos de sanidade e insanidade.

Toda a situação piora quando o filho descobre um livro sobre um devorador de crianças chamado Babadook. Com medo da personagem imaginária, a criança começa a criar formas de se proteger a si própria e à mãe. O filme foi muito elogiado pela crítica e alguns chegaram mesmo a considerar que Essie Davis foi a melhor atriz do ano.

Macon Blair (Ruína Azul)

Em Ruína AzulMacon Blair dá vida a Dwight. Despedaçado por um episódio marcante que aconteceu quando era ainda criança, o agora adulto chega à conclusão que não há nada na vida pela qual valha a pena viver. O filme desenrola-se no caminho da vingança, mas é capaz de fugir ao tradicional. Não podiam, no entanto, faltar momentos de suspense que põem os nervos em franja.

Ruína Azul destacou-se sobretudo nos círculos independentes de cinema, surpreendendo com cenas deixam qualquer um rendido. O sucesso fez com que Macon Blair se tornasse um ator a acompanhar. Depois deste filme, Blair voltou ao grande ecrã em 2015 para Green Room, obra que conta a história de uma banda punk que acaba por ficar presa num local isolado depois de um ato violento.

Jennifer Aniston (Cake)

A eternal Rachel de Friends surpreendeu a crítica e os espectadores num papel que é sem dúvida o mais dramático de toda a sua carreira. Depois de uma série de comédias românticas (género a que ficou associada), Jennifer Aniston mostrou versatilidade ao representar uma mulher em depressão, que acabou de perder tudo o que lhe era mais querido.

Drogas, depressão e culpa são alguns dos cenários retratados em Cake, um filme repleto de emoções. A interpretação convincente valeu a Aniston uma nova nomeação para os Globos de Ouro,  a primeira depois de Friends e numa categoria cinematográfica. A atriz não levou para casa o galardão de melhor atriz, mas seguramente deixou a ideia de Aniston também pode fazer drama (e muito bem).

Rosamund Pike (Gone Girl)

A estreante nos Óscares, Rosamund Pike, foi protagonista do thriller mais aguardado do ano. Em Gone Girl, a atriz deu vida a uma jovem aparentemente doce e inocente, mas com traços de psicopata. A forma como interpretou as diferentes valências da personagem valeu-lhe o reconhecimento da crítica e a posição de atriz a acompanhar nos próximos tempos.

Depois do enorme sucesso de Gone Girl, Rosamund Pike voltou ao grande ecrã novamente no papel de protagonista com Return to Sender. Os próximos trabalhos apenas deverão sair em 2016.

Michael Keaton (Birdman)

Birdman foi considerado como o filme do ano. A obra cinematográfica de Alejandro González Iñárritu marcou pela realização diferente e pelo elenco repleto de grandes nomes. De regresso à ribalta, Michael Keaton contracenou com nomes como Edward Norton e Emma Stone.

O mais curioso é que o filme  – que é sobre um ator em decadência – é também o retorno de Michael Keaton aos grandes papéis, sendo até considerado como o melhor papel em muitos anos. Divertido, trágico e exagerado, Birdman vive no limiar da lucidez, onde personagens reais e personagens imaginárias se confundem.

Marion Cotillard (Two Days, One Night)

 

Num filme considerado por muitos como aborrecido, Marion Cotillard foi capaz de dar ao público uma performance incrivelmente verosímil. Num papel longe de ser glamoroso, a atriz construiu uma fragilidade digna de menção. Contra tudo e contra todos, o desempenho em Two Days, One Night esteve entre os nomeados para melhor atriz, prémio anos antes vencido por Cotillard em La Vie en Rose.

Ao longo do filme, a personagem de Cotillard é confrontada com a necessidade de convencer os colegas que trabalham com ela a desistirem de um bónus para que ela possa voltar ao trabalho.

Julianne Moore (Still Alice)

Still Alice é baseado num livro com o mesmo nome que conta a história de uma mulher de sucesso que lentamente vai perdendo a consciência de si, graças ao Alzheimer. Na pele de Alice, Julianne Moore consegue uma das prestações mais aclamadas da sua carreira, transpondo para o ecrã a perspetiva de alguém que sofre com a doença.

Além de Julianne Moore, o filme conta com um elenco de nomes bastante conhecido, do qual fazem parte Alec Baldwin, Kate Bosworth e Kristen Stewart. A relação com os familiares e o fim da vida ativa como professora universitária são os principais enfoques de Still Alice.

Jake Gyllenhaal  (Nightcrawler – Repórter na Noite)

Especialistas parecem ter chegado a um consenso: Jake Gyllenhaal já é uma confirmação do mundo do cinema. Em 2014, o ator deu corpo a um Louis Bloom, um jornalista ambicioso que acha que tem de deixar a sua marca a qualquer custo. A certa altura, encontra a oportunidade por que tanto ansiava e procura tirar partido de uma tragédia para se destacar.

Apesar dos elogios, Gyllenhall não chegou a ser nomeado para os Óscares, embora alguns considerem que este foi o único ator a fazer frente à espetacularidade de Michael Keaton. Apesar de ter sido bastante ignorado pela crítica (que só nomeou o filme para uma categoria), Nightcrawler arrecadou uma série de nomeações nos Globos de Ouro e outros prémios cinematográficos.

Steve Carell (Foxcatcher)

Steve Carrell deu corpo a uma personagem com uma complexidade espantosa. O resultado foi uma das melhores performances cinematográficas do ano, levadas a cabo por alguém que conseguiu ser volátil o suficiente para responder ao papel. Desprendendo-se das personagens bem-humoradas em que os estamos habituados a ver, Carell viveu John Du Pont, um milionário estranho e assustador quanto baste.

A atuação valeu-lhe uma nomeação para um Óscar, mas o maior feito de Foxcatcher foi afirmar o ator como transcendental aos géneros cinematográficos. Tão bom na comédia como no drama, Steve Carell fez com que o esquecêssemos a ele para nos focarmos numa personagem que nada tem que ver com as anteriores de The Office ou Virgem aos 40 Anos.

J.K. Simmons (Whiplash)

Primeira nomeação para os Óscares, primeira vitória. Com uma carreira que já passou por projetos em diferentes áreas, J.K, Simmons conquistou o público com uma personagem que é, em simultâneo, amada e odiada. Na pele de um professor de música extremamente exigente, o ator rompeu as fronteiras do espectável e criou um personagem que seguramente permanecerá nas nossas memórias.

Mais assustador do que alguns personagens de filmes de terror, Fletcher, nome de personagem a quem dá corpo, é capaz de criar momentos de enorme tensão. Como não poderia deixar de ser, a banda sonora é um ponto fundamental, mas é de Simmons que não conseguimos tirar os olhos.

Joaquin Phoenix (Inherent Vice)

Se há coisa que podemos esperar de Joaquin Phoenix é uma interpretação perto do irrepreensível. Desta vez, o ator juntou-se a Paul Thomas Anderson para dar vida a um filme com o mesmo nome, baseado num livro de Thomas Pynchon.

A história passa-se na cidade de Los Angeles, durante os anos 70. Phoenix é um detetive que se encontra a investigar o desaparecimento de um antigo amor que, recentemente, voltou a aparecer. O filme teve criticas mistas, mas uma coisa parece ter sido consensual: ou se gostou muito, ou não se gostou nada.

Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)

Depois de falarmos de Felicity Jones não podíamos deixar de falar do outro protagonista de A Teoria de Tudo. No filme que conta a vida de Stephen Hawking, coube a Eddie Redmayne incorporar a fisicalidade do cientista ao longo dos anos. A fragilidade vai se acentuando à medida que o filme passa e à medida que acompanhamos a evolução do personagem.

De sublinhar novamente a química construída entre o casal e que foi benéfica para as atuações de ambos os atores. Redmayne levou para casa o Óscar de Melhor Ator, o primeiro da sua carreira ainda jovem.

Matthew McConaughey (Interstellar)

Matthew McConaughey é mais um caso de atores associados a comédias românticas que cresceu para se tornar num dos maiores astros de Hollywood. Depois da vitória nos Óscares de 2013, (com Dallas Buyer’s Club) o ator confirmou a versatilidade com Interstellar.

O filme é considerado como o papel mais emotivo que o ator teve de desempenhar até à data, mostrando o lado mais frágil de um antigo astronauta que atualmente vive numa quinta as crianças e o avô. Interstellar tem assinatura de Christopher Nolan e é uma homenagem ao trabalho de Steven Spielberg e Stanley Kubrick.

 

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