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Natalia Freitas: a brasileira que ajudou a construir Moana

Natalia Freitas: a brasileira que ajudou a construir Moana

 

A Disney costuma surpreender-nos todos os anos com novos filmes de animação que dão forma a histórias que só encontramos em sonhos. Mesmo assim, desde o lançamento do filme Branca de Neve e os Sete Anões, em 1937, que a produtora cinematográfica criada por Walt Disney se tem mostrado incansável em apresentar novos filmes, com histórias de encantar que superam sempre os efeitos de animação dos seus predecessores.

Agora, já imaginou como seria se fizesse parte de um projeto criativo da Disney? Ter entre as suas mãos a oportunidade de construir efeitos de animação de um grande filme? Contar uma história capaz de chegar ao coração de milhares de miúdos e graúdos por todo o mundo?

A brasileira Natalia Freitas teve oportunidade de participar na produção de Moana, o filme da Disney que tem dominado as bilheteiras nos últimos meses. Ao longo dos próximos parágrafos contamos a história desta talentosa brasileira que é por si mesma uma espécie de princesa da Disney.

Natalia Freitas: uma verdadeira história de encantar

A história da artista mineira de Belo Horizonte, Natalia Freitas, quase podia inspirar um filme sobre triunfo em tempos modernos. Após perder os pais aos 10 anos, a artista voltou-se para a ilustração para desenvolver novas narrativas. Como contou em entrevista à revista Galileu, “com o passar dos anos, percebi que aquilo era muito mais do que um hobby. A animação foi um entretenimento tão importante para mim que queria despertar isso nos outros.”

Por essa altura, a sua imaginação era alimentada por clássicos da Disney como os filmes A Bela Adormecida, Mary Poppins e O Rei Leão. Dos rascunhos num bloco de papel começou então a tomar decisões mais definitivas quanto ao seu futuro. Em 2005, já decidida em ir atrás do seu sonho de infância, entra no curso de animação da Escola de Belas Artes na UFMG.

Em 2010, dá um passo ainda maior na direção do seu sonho: começou os seus estudos em técnicas 3D, enquanto assistia a tutoriais na Internet para se tornar ainda melhor na arte que queria dominar. Foi assim que conseguiu uma bolsa de pós-graduação no Institut für Animation, na Alemanha, onde se especializa em animação 3D.

Ao longo dos anos, a artista utilizou suas habilidades para animar e dirigir seus próprios curta-metragens — entre eles Electrofly, no qual mistura animações 2D e 3D perante um cenário real.

 

O grande momento da sua carreira (pelo menos até à data) acontece em 2016, quando é seleccionada para participar na produção de um novo projeto da Disney: Moana: Um Mar de Aventuras. “Foi muito interessante ver a personagem ganhar forma. Diariamente uma cena era finalizada, então fui criando um amor pelos personagens conforme os vi crescendo”, contou Natalia Feitas ao Galileu.

“Eu consegui alcançar o que sempre almejei. Trabalhar num grande estúdio fazendo animação para cinema. Não foi nada fácil, porém não desisti desse sonho”, disse a artista. “Trabalhei no departamento de ‘Look Development’ em uma equipe composta de 18 artistas. Nós criamos as texturas e materiais que definiram a aparência dos personagens, cenários e todos os elementos 3D do filme”, disse.

O balanço dos tecidos, o crepitar das tochas, a estrutura dos tambores, até a textura visual das bananas: todos estes efeitos estavam a cargo da artista natural de Belo Horizone. Ainda assim, o caminho para chegar aos estúdios da Disney não foi propriamente fácil: Natália teve de fazer um estágio de três meses num estúdio da Disney antes de ser selecionada para participar na produção de Moana.

Entre os oito brasileiros que trabalharam na animação, Natália era a única mulher. Um deles, Leo Matsuda, dirigiu o curta-metragem que antecede Moana, o Inner Workings. Filha do chefe de uma tribo polinésia, Moana é uma “princesa Disney” que se difere de qualquer outra princesa que tenhamos visto no grande ecrã. Para começar, não está à espera do grande amor da sua vida: na verdade, Moana acredita ser responsável pelo seu próprio destino e luta para salvar a ilha onde vive de uma maldição.

“A indústria cinematográfica em geral está mudando e trazendo ao público mulheres mais fortes e independentes. Nos últimos anos vimos o surgimento de várias personagens principais ou coadjuvantes bem poderosas e eu acho essa representatividade muito importante”, conclui Natalia.

 

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Comentários

  • 13 March, 2017

    A Verdade é que nunca paramos pra pensar que um filme foi todo elaborado por pessoas que tem diversas histórias que poderiam se tornar um filme também.

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