“It Ends With Us”: O Êxito sem Franquia que Provou o Poder do Público Feminino
O êxito que Hollywood não viu a chegar
No verão de 2024, “It Ends With Us” tornou-se um dos maiores fenómenos de bilheteira do ano — sem super-heróis, sem franquias estabelecidas e sem o tipo de espetáculo visual que os estúdios consideram imprescindível para atrair multidões às salas.
Com Blake Lively no papel principal, adaptado do bestseller de Colleen Hoover, o filme provou que havia um público enorme, fidelíssimo e com poder de compra que a indústria insistia em ignorar. Um erro que os números tornaram impossível de disfarçar.
Os números desafiam a lógica de Hollywood
Sem franquia, sem super-heróis, sem espetáculo de ação, “It Ends With Us” ultrapassou os 200 milhões de dólares mundiais nas primeiras semanas e fechou bem acima dos 300 milhões, com um lucro estimado superior a 200 milhões. Para contexto, superou em rentabilidade muitas produções de orçamento gigantesco lançadas no mesmo ano.
Foi um êxito inesperado a fazer lembrar, noutra escala, o fenómeno indiano «Saiyaara» — dois filmes de universos radicalmente diferentes que chegaram ao mesmo resultado: provar que o cinema popular não precisa de seguir as fórmulas dos grandes estúdios para encontrar o seu público.
A história aborda um tema sensível — a violência doméstica — através da relação de Lily Bloom com um neurocirurgião encantador mas perigoso. Pode ver a ficha completa na página oficial do filme no IMDb.
O público feminino como força de mercado
O que “It Ends With Us” demonstrou, de forma inequívoca, é que o público feminino adulto vai às salas quando lhe é oferecido um filme que o leva a sério. Não como destinatário de uma comédia romântica descartável, mas como audiência capaz de apreciar drama emocional complexo com uma escala de produção séria.
Esta é a mesma lição que Hollywood ignorou durante décadas, reservando ao público feminino orçamentos baixos e histórias simplistas. O mesmo público que, recorde-se, ajudou a transformar em conversa cultural o duelo de Melhor Atriz entre Mikey Madison e Demi Moore. “It Ends With Us” mostra o tamanho do erro: quando esse público é levado a sério, responde em massa.
A adaptação de bestsellers de Colleen Hoover — o fenómeno editorial do “BookTok” — representa um modelo de negócio que os estúdios estão agora a estudar atentamente. Há uma audiência pré-conquistada, emocionalmente investida, ansiosa por ver as suas histórias favoritas no grande ecrã. É ouro puro para quem souber explorar.
A polémica que não se pode ignorar
Seria desonesto falar do filme sem referir a controvérsia que o rodeou. A produção foi marcada por tensões públicas entre Blake Lively e o realizador e coprotagonista Justin Baldoni, com acusações cruzadas que dominaram o noticiário e ofuscaram, em parte, a conversa sobre o próprio filme e o seu tema delicado.
Aqui é preciso sentido crítico para separar águas: o êxito comercial e a relevância sociológica do fenómeno não dependem de quem teve razão nessa disputa. Mas o caso ilustra como o ruído de bastidores pode sequestrar a narrativa de um filme inteiro — em prejuízo, sobretudo, da conversa sobre violência doméstica que o filme pretende alimentar.
O que fica depois da polémica
O que permanece, limpo da polémica, é um filme que tocou em algo real. A violência doméstica raramente aparece no cinema de grande orçamento de forma não sensacionalista — e “It Ends With Us”, com todos os seus defeitos dramáticos, tentou fazê-lo para uma audiência de dezenas de milhões.
Isso tem valor, independentemente dos bastidores. E o debate que gerou — sobre o tema, sobre o público feminino, sobre o poder das comunidades de leitores online — é o tipo de conversa que o cinema deveria provocar mais vezes.
Já viram “It Ends With Us”? Leram o livro de Colleen Hoover primeiro? Acham que o cinema faz justiça à história? Contem-nos nos comentários.
