“One Battle After Another”: O Regresso Triunfal de Paul Thomas Anderson
Quase trinta anos à espera deste encontro
Paul Thomas Anderson e Leonardo DiCaprio conheceram-se no final dos anos 90, quando Anderson preparava o casting de “Boogie Nights”. Demoraram quase três décadas a colaborar — e o resultado, “One Battle After Another”, tornou-se o grande acontecimento cinematográfico da temporada e o filme mais premiado dos Óscares de 2026.

Para o “Mundo de Cinema”, este é o tipo de filme que justifica a existência da crítica: uma obra grande, ambiciosa e divisiva, que recusa o conforto. Anderson, autor de “Sangue Vai Correr” e “The Master”, troca aqui o tom contemplativo por uma energia quase de filme de ação, sem abdicar da densidade temática que é a sua marca.
De que trata o filme
A história acompanha um grupo de antigos revolucionários que se reúne, dezasseis anos depois, quando um velho inimigo reaparece e a filha de um deles é raptada. Com Sean Penn, Benicio Del Toro e Teyana Taylor no elenco, Anderson constrói um retrato febril dos Estados Unidos contemporâneos — imigração nas fronteiras, supremacia branca, polarização política — através de uma narrativa de perseguição que nunca abranda.
É um filme que mistura géneros com uma confiança desarmante: ação, drama de personagens e comédia negra coexistem no mesmo plano. Pode ver mais detalhes técnicos e elenco na página oficial do filme no IMDb.
O triunfo nos Óscares
“One Battle After Another” foi o filme mais mencionado em todas as listas de fim de ano e dominou a temporada de prémios, somando o maior número de estatuetas na cerimónia de 2026, incluindo Melhor Filme e Melhor Realização para Anderson. Foi a confirmação de uma temporada em que o cinema de autor brilhou, da consagração de «Anora» e Sean Baker ao intenso duelo de Melhor Atriz entre Mikey Madison e Demi Moore.
Convém, ainda assim, manter o sentido crítico. Nem toda a crítica se rendeu. Há quem aponte que a ambição de comentar o extremismo político é minada por um universo moral demasiado simplista, em que os “bons” e os “maus” estão claramente demarcados. Anderson é brilhante a criar tensão e personagens; é menos subtil quando quer fazer um diagnóstico do país.
Anderson em modo blockbuster
O mais fascinante é ver um dos autores mais cerebrais do cinema americano a abraçar a adrenalina. As sequências de perseguição são das mais empolgantes da sua carreira, e DiCaprio entrega-se a um registo mais cómico e caótico do que o habitual. É um filme que prova que cinema “sério” e cinema “divertido” não têm de ser inimigos.
Para quem quiser revisitar a obra anterior do realizador antes de mergulhar neste, vários dos seus clássicos estão disponíveis em edições físicas de colecionador em lojas como a Amazon Espanha, uma boa forma de perceber a evolução do seu estilo.
Vale a pena o entusiasmo?
Sim, mas com expectativas calibradas. “One Battle After Another” não é uma obra-prima perfeita — é uma obra grande, irregular e corajosa, o que talvez seja mais interessante. Anderson arrisca, e mesmo quando tropeça, fá-lo de uma forma que poucos cineastas contemporâneos conseguem.
Se gosta de cinema que conversa com o presente sem oferecer respostas fáceis, este é um título incontornável da temporada. Para acompanhar a receção crítica internacional, a página do filme no Rotten Tomatoes reúne dezenas de análises que mostram bem como o consenso não é unânime.
Já viram “One Battle After Another”? É o melhor Paul Thomas Anderson ou ficaram aquém das expectativas? Digam-nos nos comentários.
