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Donnie Darko: o paradoxo de uma história que nunca aconteceu

Donnie Darko: o paradoxo de uma história que nunca aconteceu

 

O filme Donnie Darko, lançado em 2001, aborda temas como universos paralelos, viagens no tempo e ciência quântica. Ao seguirmos a estranha história de Donnie Darko, um jovem depressivo e esquizofrénico, somos encaminhados pouco a pouco para um final que nos deixa a desesperar por entendimento e que se assume como um dos maiores paradoxos cinematográficos de todos os tempos.

Este é sem dúvida um dos meus filmes preferidos, para não dizer mesmo o filme preferido. Vi-o pela primeira vez algumas semanas antes de entrar na universidade e fiquei profundamente marcado pelo que vi. Tendo como ator principal Jake Gyllenhaal, Donnie Darko mexe com os sentimentos humanos e com os mistérios do universo.

O realizador Richard Kelly, na altura com 27 anos, explicou mais tarde  que encontrou a sua inspiração em 3 ideias diferentes: um mito urbano sobre um pedaço de gelo que caiu de um avião e matou uma pessoa; histórias de autores como Kafka e Stephen King; e o estereótipo do adolescente que se sente marginalizado pela sociedade. A combinação destes três elementos resultou numa obra de culto para o cinema de ficção científica.

Donnie Darko: aconteceu ou não?

O conceito de viajar no tempo é alvo de debates e especulações, alguns sustentados por dados científicos que provam que é impossível, outros que mostram que pode ser possível no futuro. Em Donnie Darko, viajar no tempo acontece de forma inconsciente mas provoca uma série de consequências que são exploradas ao longo dos mais dos 100 minutos que constituem este filme.

De acordo com os apontamentos do livro fictício Filosofia das Viagens no Tempo – que surgem ao longo do filme, para explicar aquilo que estamos a ver –, sempre que alguém viaja no tempo é criado um Universo Tangente, uma realidade paralela que só durará algumas semanas.

Nessa realidade, existe um Recetor Vivo que tem como missão devolver ao Universo Primário – a realidade a partir do qual foi criado o Tangente – um Artefacto responsável pela fragmentação do Universo. Caso contrário, toda a existência será posta em causa. O Recetor Vivo é conduzido subtilmente por todos os que o rodeiam.

Em Donnie Darko, seguimos então a história de Donnie, inserido num Universo Tangente e com a missão de devolver algo a um Universo Primário. Uma noite, acorda com o chamamento de uma misteriosa voz que lhe diz para sair da cama e ir até lá fora. Obediente, Donnie levanta-se e encontra um assustador Coelho Gigante, um suposto amigo imaginário, que o informa  de que o mundo vai acabar em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos.

 

Durante esse breve instante em que está fora da cama, o motor de um avião cai sobre o quarto de Donnie, deixando toda a família em pânico. Donnie estaria morto se não tivesse sido convocado pelo Coelho Gigante.

Estão lançados os ingredientes principais para a história que se desenrola a seguir. Acompanhamos a vida do perturbado Donnie, a forma como o Coelho Frank o manipula ao ponto de o convencer a inundar a escola e incendiar a casa de um pedófilo. É introduzida ainda a personagem de Gretchen Ross, interpretada por Jena Malone, uma nova moradora de Middlex com quem Donnie começa a sair.

Não querendo estragar o final para ninguém, limito-me apenas a dizer que tudo o que vemos acaba no final por provar ser um verdadeiro paradoxo. Não é uma história fácil de perceber, portanto suguro que veja a edição do realizador.

O elenco do filme conta com atores de luxo, como Mary McDonnell, a irmão de Jake Gyllenhaal, Maggie, Drew Barrymore e Patrick Swayze.

 

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Comentários

  • 16 November, 2015

    Partilho a veneração por Donnie Darko mas neste caso a versão “truncada” funciona a favor do filme. O que é omitido obriga à reflexão e pesquisa, o que expande a experiência. O Director’s Cut é menos misterioso e menos cinematográfico e Southland Tales demonstrou que Kelly precisa de um bom editor.

    • Eduardo Aranha
      Eduardo Aranha
      18 November, 2015

      Obrigado pelo seu comentário, Segundo Take! Eu, por acaso, vi em primeiro lugar a versão “truncada” e, como queria respostas e entendimento, decidi ver o Director’s Cut pouco depois. Hoje, acho que gosto mais da versão do realizador, sinceramente, mas são opiniões!

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