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Alguma vez assistiu ao 1.º filme português?

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Alguma vez assistiu ao 1.º filme português?

Em Portugal, a chegada do cinema deu-se no ano de 1896. A primeira filmagem foi da autoria de Aurélio Paz dos Reis, um comerciante natural da cidade do Porto, que, inspirado pela ideia dos irmãos Lumiére, decidiu filmar A Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança.

Nas imagens históricas vemos o n.º 181 da Rua de Santa Catarina, acompanhando a saída dos trabalhadores, as pessoas que passam e até mesmo uma charrete. A experiência pioneira em território lusitano tem notórias semelhanças diretas com La Sortie de L’usine Lumière à Lyon, o primeiro filme exibido em público, que pode ver neste post.

Teatro Sá da Bandeira exibiu o 1.º filme português

A Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança foi apresentada pela primeira vez no Teatro do Príncipe Real, que mais tarde nesse ano foi rebatizado para Teatro Sá da Bandeira. Na altura, juntamente com as imagens, era mostrado aquele que Aurélio Paz dos Reis apelidou de Kinematografo Portuguez, que era uma versão em tudo semelhante ao cinematógrafo dos irmãos Lumiére. Além do filme A Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança foram também apresentados outras montagens com cerca de um minuto, algumas nacionais, outras estrangeiras.

Na época, a estranheza foi tanta que fez com que os filmes fossem apelidados de… quadros. Na edição de 13 de novembro do já extinto jornal mítico Comércio do Porto podemos ler: ‘Num dos intervalos, o Sr. Aurélio Paz dos Reis exibiu no kinematógrapho vários quadros, alguns dos quais muito engraçados e que tiveram muitos aplausos’.

Quem era Aurélio Paz dos Reis?

Além de ter sido pioneiro do cinema português, Aurélio Paz dos Reis foi um dos homens mais influentes do seu tempo, sendo também recordado como defensor do regime republicano e fervoroso maçom.

Porém, a sua aventura pelo mundo do cinema não teve um início fácil. Apesar de já ter desenvolvido uma paixão pela fotografia, também ele se interessou pela imagem em movimento. Assim, parte para Paris na expectativa de encontrar uma dessas máquinas que faziam filmes.

Porém, os irmãos Lumiére não lhe quiseram vender o cinematógrafo, assim como também não quis George Meliès. Na altura, Aurélio Paz dos Reis – que tinha viajado na companhia de um amigo e futuro sócio – decidiu não desistir. Ainda antes de regressar a Portugal os dois terão comprado, então, uma máquina semelhante ao cinematógrafo que tinha sido inventada pelos irmãos Werner.

É assim que, não muito depois, em Setembro, Aurélio Paz dos Reis dá à manivela naquele estranho instrumento no preciso momento em que os funcionários da Camisaria Confiança, na rua de Santa Catarina, no Porto, saem para almoçar. E assim traz o cinema a Portugal!

 

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