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La Vie en Rose: a vida nem sempre cor-de-rosa de Édith Piaf

La Vie en Rose: a vida nem sempre cor-de-rosa de Édith Piaf

 

La Vie en Rose, de 2007, foi o filme que penetrou na capa de Édith Piaf, deixando a descoberto a mulher por detrás da voz, símbolo de uma nação. Numa interpretação consensualmente soberba, Marion Cotillard vestiu-se de corpo e alma para o papel de uma vida, que ficará para sempre na história do cinema. Não tivesse sido esta, aliás, a prestação que lhe valeu o primeiro (e até à data único) Óscar da sua carreira e o primeiro a distinguir um papel falado em francês.

Muito elogiado pela crítica, La Vie en Rose tem este título graças à canção com o mesmo nome, aquela que é provavelmente a mais conhecida da cantora. O filme começa com Édith Giovanna Gassion, que não sendo ainda Piaf, já tem a voz característica. A narrativa não linear dá inicialmente destaque à infância: com aspeto miserável, Édith surge na rua, momentos antes de ser abandonada pela mãe.

Entregue aos cuidados do pai, um acrobata, a criança foi depois viver com a avó que, por sua vez, era dona de um bordel da Normandia. Em La Vie en Rose acompanhamos os momentos mais marcantes do crescimento de Piaf que passou grande parte da infância num ambiente marcado pelo sexo e pela boémia, mas onde também havia lugar para o afeto.

A certa altura, o pai abandona o circo onde trabalhava e dedica-se a fazer espetáculos nas ruas de Paris. Embora sob o protesto das prostitutas que cuidavam de Édith, o progenitor decide levar a criança consigo. Numa das cenas mais marcantes de La Vie en Rose, Edith Giovanna Gassion surpreende quem a ouve ao cantar o hino francês, a Marselhesa.

Da infância à idade adulta, La Vie en Rose dá saltos no tempo para acompanhar os momentos mais marcantes da vida da cantora. O filme biográfico destaca a ascensão de Piaf, que começa por cantar em ruas e bares. Ao longo da película, conhecemos também a história da amiga, Mômome, companheira de boémia, e de uma série de outras personagens com quem trava amizade ou se apaixona.

Entre os personagens, encontram-se Raymond Asso, o homem que a ajuda a trabalhar a postura em palco que, mais tarde, seria uma das suas assinatura; Marcel Cerdan, o boxista casado por quem se apaixona; e o marido, Jacques Pills.

Mas não só de sucessos se fez a vida de Édith Piaf. Durante os 140 minutos de filme, assistimos também a doença e à forma como a artista lidou com ela. Ora depressiva, ora com uma resiliência de ferro, aquela que é considerada a maior voz francesa desafiou várias vezes as probabilidades.

 

O filme termia com uma atuação no Olympia, quando canta a música que resume a sua vida: Non, Je Ne Regrette Rien (“Não, não me arrependo de nada”). Édith Piaf morreu a 11 de outubro 1963, vítima de cancro no fígado. Em dezembro desse ano, completaria 48 anos.

La Vie en Rose pelos aos olhos da crítica

Embora tenha sido bastante aplaudido, La Vie en Rose não passou ao lado de algumas críticas menos positivos. Vários especialistas do mundo do cinema afirmaram que o filme não mostra uma altura muito importante da vida de Piaf, deixando de lado os anos da II Guerra Mundial. Por essa altura, Piaf cantou inclusive para a as tropas alemãs com o objetivo de retirar informação para ajudar a resistência francesa.

Outras críticas incidiram sobre o facto de a câmara de Olivier Dahan parar na porta do quarto nos momentos mais românticos com Marcel Cerdan, acusando o realizador de não mostrar o lado sexual de Édith Piaf. Tal é justificado pelo medo de retirar à personagem o lado de diva intocável, ao mostrar a fragilidade física durante o ato sexual.

Por sua vez, foi essa mesma fisicalidade que mereceu mais elogios. Incorporando não só a personalidade como também os gestos e o corpo, Marion Cotillard foi capaz de imitar com mestria a debilidade física de Édith Piaf, durante os vários anos de carreira. É sabido que a cantora sofria de várias doenças, entre elas o reumatismo, que justificava a sua postura curvada.

A voz das performances que aparecem do filme são os originais de Piaf, sendo que Cotillard apenas se limita a sincronizar o movimento dos lábios e gesticular. O vício de morfina e o lado mais frágil também são retratados num filme, onde podemos dizer que a atriz parece abandonar o seu próprio corpo para se transformar na personagem de uma vida.

 

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