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Still Alice: de que é feita a identidade, senão de memórias?

Still Alice: de que é feita a identidade, senão de memórias?

Em Still Alice (O Meu Nome é Alice, na versão portuguesa) encontramos Alice Howland, uma professora universitária de 50 anos, profissionalmente realizada e com uma família feliz. Tudo parece estar bem quando começa a aperceber-se de que ultimamente é frequente esquecer-se de nomes, datas e palavras. Coisas pequenas que a certo ponto fazem com que vá ao médico. É então que lhe é diagnosticada a doença de Alzheimer.

Still Alice, título original do filme, é uma adaptação do livro com o mesmo nome, da autoria da neurocientista, Lisa Genova. Ao longo de cerca de uma hora e meia acompanhamos a espiral decadente da professora de Linguística que, pouco a pouco, vai vendo as suas memórias deterioradas.

Num filme psicologicamente denso que nos coloca no papel da personagem, há que destacar a interpretação (merecedora de todos os elogios) de Julianne Moore, a atriz que dá corpo a Alice. Depois de quatro nomeações, foi com O Meu Nome É Alice que a norte-americana levou para casa o seu primeiro Óscar. Vejamos o trailer.

Still Alice: As questões levantadas pelo filme

Mais do que um filme sobre uma doença, O Meu Nome É Alice fala de questões tão universais como a importância da memória, da identidade e da dignidade humana. Explorando limites, a película deixa a questão sobre quando deixamos de ser nós mesmos para nos transformarmos noutra coisa irreconhecível e degradante.

still-alice-filmeOutras questões que se impõem são: o que somos senão um conjunto de memórias? Ou até que ponto vale a pena estar vivo numa situação como estas?

Num filme extremamente lúcido onde a consciência da doença e das suas aplicações é uma constante, acompanhamos o esforço de Alice em se manter ativa e em lembrar-se de pequenas coisas. A personagem chega mesmo a definir uma estratégia para se suicidar com comprimidos, caso certo dia não consiga responder a uma série de perguntas básicas, como o primeiro nome da sua filha mais velha.

O processo do reconhecimento da doença e de aprender a viver com ela não é isolado. O filme mostra também os dilemas da família que vive dividida entre continuar a viver normalmente e o dar atenção a Alice, que, como a própria diz, não será ela por muito mais tempo. Em simultâneo com Julianne Moore, são os atores que interpretam os familiares que compõem o núcleo principal do elenco.

Alec Baldwin interpreta John Howland, o marido que vive num limbo entre o cuidar de Alice e o seguir uma carreira de sucesso como professor. Kate Bosworth veste o papel da filha mais velha, que engravida no decorrer da trama; Kristen Stewart, a rebelde Lydia, é a filha com quem Alice mantém uma relação mais difícil, mas também mais próxima; e Tom Howland, também filho de Alice e John.

O momento alto do filme será talvez o discurso durante uma conferência sobre o Alzheimer. A cena (a que podemos assistir no vídeo acima) resume todo o processo da doença, retratando a forma como a personagem a encara. Apesar de não se lembrar, Alice continuará a ser Alice. Para a história fica mais do que uma prestação brilhante, fica um filme que apela à reflexão sobre nós próprios, sobre o que aquilo que nos torna únicos e sobre a nossa relação com os outros.

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