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127 Horas: uma história real de enorme valor humano

127 Horas: uma história real de enorme valor humano

by Tiago Leão

Lançado em 2010, 127 Horas parte de uma história verídica para se transformar numa obra de enorme valor humano. O filme retrata limites numa narrativa inovadora, onde alucinações se tornam tão verdadeiras como memórias. No centro do enredo encontramos James Franco, ator que incorpora Aron Ralston, um homem que esteve preso entre a pedra e a parede, durante 127 horas, num desfiladeiro do Utah.

127-horas-filmeExplorando o limiar da lucidez, a obra cinematográfica é um daqueles filmes tão fiéis que quase podia ser um documentário. Mas comecemos pelo princípio: em abril de 2003, Aron Ralston era um jovem de 27 anos, amante de escalada e de desportos radicais. É então que decide aventurar-se sozinho numa viagem pelo sul do estado do Utah sem levar telemóvel, nem avisar ninguém.

Enquanto descia o desfiladeiro de Blue John Canyon, Ralston ficou com o braço preso graças a uma rocha suspensa que se tinha acabado de soltar. Sem se conseguir libertar, o jovem ficou ali durante cerca de 5 dias  até amputar o membro que o prendia. Durante todo o processo, Ralson fez-se acompanhar de uma câmara de filmar que serviu de âncora para manter a lucidez. Este link mostra algumas das imagens que serviram de inspiração a 127 Horas.

O filme 127 Horas funciona como uma espécie de monólogo que vai sendo intercalado com imagens de memórias, alucinações e premonições que não são mais do que planos para o futuro. As imagens captadas não mostram só os dias no desfiladeiro: refletem um verdadeiro processo de autodescoberta, pautado por uma grande diversidade de emoções, da resignação à esperança.

De acordo com Aron Ralston, o filme só difere da história verdadeira na parte inicial em que o personagem com o mesmo nome se encontra com duas jovens aventureiras, propondo-se a fazer de guia. Mais tarde, essas mesmas jovens viriam a ter um papel relativamente importante no filme já que elas seriam uma das poucas esperanças de que alguém ouvisse o seu pedido de ajuda.

Além da informação de quanta água restava ou de momentos marcantes (como a altura em que percebe que a única solução é amputar o braço, que aliás perderia de qualquer das formas), 127 Horas abre portas para a história de um homem como aqueles que estão do outro lado do ecrã. A namorada e os familiares  – a quem deixa uma emocionante mensagem de despedida – são uma parte importante da narrativa. Do elenco fazem parte nomes como Kate Mara, Amber Tamblym, Treat Williams, Kate Burton e Lizzy Caplan. Vejamos o trailer.

127 Horas: aceitação da crítica e resposta do público

Mesmo antes de chegar às salas de cinema 127 Horas já tinha chamado a atenção do público. A juntar ao realizador conhecido, Danny Boyle (vencedor de um Óscar com Quem Quer Ser Bilionário?), o filme tinha algumas cenas que podiam ser consideradas chocantes.

Ao longo dos 94 minutos de película, Aron Ralston é obrigado a beber urina para sobreviver, sendo que a imagem mais recordada é talvez a do momento em que o personagem corta o próprio braço. Apesar de chocante, a cena recebeu aplausos pelo detalhe com que foi feita. Tal só foi possível graças ao trabalho de maquilhagem de Tony Gardner, que durante as filmagens contou com o apoio de uma equipa médica.

Depois de uma prestação muito elogiada, James Franco foi nomeado para o Óscar de Melhor Ator Principal. Comparando as gravações originais com a captadas pelo filme é fácil perceber as semelhanças entre o Ralston orignal e o Ralston personagem. O filme recebeu mais 5 nomeações, embora tenha acabado por sair da cerimónia sem nenhuma estatueta.

   

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