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Carrie Fisher: a Princesa que viverá sempre entre as estrelas

Carrie Fisher

Carrie Fisher: a Princesa que viverá sempre entre as estrelas

by Eduardo Aranha

O mundo não quis acreditar quando, nas vésperas do Natal de 2016, começou a circular na Internet a notícia de que Carrie Fisher – a icónica Princesa Leia da saga Star Wars – tinha sofrido um ataque cardíaco a bordo do avião que ligava Londres a Los Angeles. Durante alguns dias o mundo aguardou por notícias, confiando que a recuperação seria possível. Informações avançadas por fontes próximas da família indicaram mesmo que a atriz estaria estabilizada e em recuperação. Enquanto se esperava pelo pior ou melhor, os fãs juntaram-se na Internet e deram força à hashtag #MayTheForceBeWithHer.

No entanto no dia 27 o falecimento de Carrie Fisher foi confirmado. Para os fãs de Star Wars, e de todos os outros trabalhos em que Fisher participou como atriz, argumentista e produtora, a notícia chegou como uma confirmação de que 2016 não encerraria sem levar outro dos seus heróis. Já dias antes tinha falecido George Michael, no dia de Natal, chocando de igual forma o mundo.

Ainda assim, o destino estava prestes a pregar uma outra surpresa. Debbie Reynolds – mãe de Fisher e especialmente relembrada por ter protagonizado o filme Singing in the Rain – sofreu um AVC no dia seguinte, falecendo cerca de 24 horas depois da filha. A coincidência foi mais do que coincidência. Todd Fisher, filho de Debbie Reynolds, disse mesmo à imprensa que a mãe “queria estar com a Carrie”. Um fim triste e inesperado para uma história de amor entre mãe e filha.

Neste post prestamos uma homenagem a Carrie Fisher, percorrendo a sua biografia tanto a nível pessoal como profissional. Recordamos que Fisher, melhor conhecida pelo papel de Princesa Leia, fazia parte do elenco da nova trilogia de Star Wars, tendo terminado as gravações para o Episódio VIII que tem estreia marcada para dezembro deste ano.

Carrie Fisher: o início de uma carreira de sucesso

Estamos no dia 21 de outubro de 1956, na cidade de Los Angeles, Califórnia, quando a atriz Debbie Reynolds tem a sua primeira filha, Carrie, com o seu primeiro marido, o cantor Eddie Fisher. O casamento chegou mesmo a terminar dois anos mais tarde, durante a infância de Carrie, na sequência de um escândalo que se tornou público após Fisher se envolver com a atriz Elizabeth Taylor.

Ainda assim, o crescimento de Fisher prosseguiu sem percalços. A futura atriz mostrou desde cedo um interesse pela literatura e chegou mesmo a compor alguns poemas. No entanto, acaba por seguir o exemplo dos pais e consegue um papel numa peça de Broadway. Por essa altura, com apenas 15 anos, começa a construir uma carreira no mundo das artes do espectáculo. Após a participação em alguns filmes menores e anúncios televisivos, consegue então o papel que lhe trouxe fama.

Em 1977 estreia-se no grande ecrã como Princesa Leia na saga Star Wars criada e realizada por George Lucas. Ao lado de Mark Hamill e Harrison Ford, veste a pele da personagem nas duas sequelas que se seguem The Empire Strikes Back (1980) e Return of the Jedi (1983): é assim que se torna um verdadeiro ícone da cultura pop. Não me vou alongar muito naquilo que todos já sabem: prefiro apenas apresentar algumas fotografias que para sempre eternizarão Carrie Fisher neste seu papel icónico.

Todavia, a carreira de Fisher não se limitou a Star Wars. Em 1980, a atriz volta ao cinema – participando no filme The Blue Brothers – e regressando a Broadway para Censored Scenes from King Kong e, dois anos depois, para a peça Agnes of God. Mas a década de 80 significa também alguns dos pontos mais baixos da carreira da atriz: é por esta altura que luta contra a influência do álcool, drogas e depressão. Ainda assim, participa em filmes inesquecíveis como Under the Rainbow (1981) e Hollywood Vice Squad (1986).

No final da década começa então a afastar-se dos palcos para se dedicar à escrita. O seu primeiro livro – Postcards from the Edge – inspira-se diretamente na relação com a sua mãe, relatando a história de mãe e filha que partilham em comum o estrelato vindo do mundo do espectáculo. O livro foi inclusive adaptado para um filme, em 1990, com a interpretação de Meryl Streep e Shirley MacLaine.

Da representação à escrita

A carreira de Fisher sofre uma clara mudança a partir desta altura. A sua participação em filmes ou séries televisivas começa a ser muito breve, surgindo em papéis secundários ou participações especiais. Chega a participar no filme Hannah and Her Sisters de Woody Allen, em 1986, para um curto papel e ainda em Soap Dish (1991). No que toca a televisão, deu voz a uma personagem da série de animação Family Guy e fez participações em séries como Sexo e a Cidade, Big Bang Theory e Entourage.

O enfoque principal da sua vida profissional passa a ser a escrita. Trabalhando ativamente como argumentista, começa por ajudar a rever argumentos de filmes como Sister Act (1992), Outbreak (1995) and The Wedding Singer (1998), entre outros. Quanto à sua obra literária escreve alguns títulos como The Best Awful There Is (2004), Wishful Drinking (2009) e Shockaholic (2012).

O seu último livro, baseado nos diários pessoais escritos durante as filmagens de Star Wars, chegou às livrarias em novembro de 2016 e tem como título The Princess Diarist. Nesta memória, voltou de novo a provar o seu talento para a pena e papel e deliciou os fãs com alguns mexericos inéditos, nomeadamente o seu envolvimento com Harrison Ford durante as gravações do primeiro filme.

No que diz respeito à sua vida pessoal, Carrie Fisher foi casada durante alguns anos com o  compositor e cantor Paul Simon, mas foi da sua relação com Bryan Lourd que teve a sua única filha: Billie Catherine Lourd, que à semelhança da mãe e da avó, segue uma carreira nas artes do espectáculo.

Ao longo da sua vida, Fisher foi uma importante voz na divulgação de algumas causas. Diagnosticada com bipolaridade, nunca deixou que a doença a condicionasse de forma alguma ou à sua carreira, tendo lidado e debatido publicamente a doença e os vícios com que lutou durante anos.

Infelizmente, com apenas 60 anos, Carrie Fisher faleceu, deixando para trás um legado que promete viver durante muitos, muitos anos, eternizado pelas Estrelas que fizeram dela a Princesa rebelde e feminista que tão bem conhecemos e amamos.

Por todo o mundo foram muitos os artistas a lamentar a morte da atriz – incluindo Mark Hamill e Harrison Ford – mas também Meryl Streep que, após o discurso na cerimónia dos Globos de Ouro de 2017 – que promete ficar para a História dos Estados Unidos – citou diretamente a atriz com uma frase emocionada que resume a personalidade de Fisher e o seu espírito: “Take your broken heart, make it into art”.

   

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