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Tempo e magia: um livro que viaja à génese dos filmes épicos

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Tempo e magia: um livro que viaja à génese dos filmes épicos

by Eduardo Aranha

Ao longo da história, o cinema viu nascer muito filmes que honram a própria História, aquela que se escreve com um H maiúsculo. Filmes que nos levam de volta ao tempo de reis e castelos, que nos relatam guerras e aventuras, que nos permitem conhecer as raízes de nações e civilizações. Aqui, no nosso blog, têm sido várias as vezes que falamos de filmes que, de facto, contaram episódios distintos da história da humanidade.

No nosso top 10 de melhores filmes épicos enumeramos alguns dos títulos que são, sem dúvida, marcantes para a Sétima Arte. Por filmes épicos entendemos longas-metragens que narram histórias passadas há muitos anos atrás, que envolvem por norma guerra e grandes atos capazes de mudar o Mundo.

Neste post, que se volta a focar de novo na temática de filmes épicos, fazemos no entanto uma abordagem diferente: queremos conhecer melhor a génese destes filmes, de um ponto de vista académico. Para isso, decidimos recuar milhares de anos no tempo, a uma altura que hoje os historiadores relembram como Antiguidade Clássica e falamos, nos parágrafos que se seguem, de filmes que nos falam de personagens como Cleópatra ou de eventos como o de Tróia e o seu famoso cavalo.

Tempo e magia: uma viagem de muitos séculos

Para falar deste género, decidimo-nos orientar pelo livro ‘Tempo e Magia – A história vista pelo Cinema – Antiguidade’. Nesta obra que analisa a Sétima Arte, José Alberto Baldissera e Tiago de Oliveira Bruinelli destacam produções cinematográficas sobre a Babilónia, o Antigo Egipto, o povo hebraico e ainda as civilizações grega e romana.

As análises encontradas neste livro de quase 400 páginas contemplam a contextualização histórica dos momentos de produção dos filmes, mostrando como a Sétima Arte foi usada para nos ajudar a compreender as construções do e sobre o passado. Da mesma forma, o livro procura mostrar como as sociedades da altura em que os filmes foram produzidos viram estas longas-metragens e as aceitaram.

No final de tudo, o livro acaba por juntar diferentes narrativas cinematográficas que revelam a complexidade das épocas em que foram produzidos tais filmes. Do episódio Babilónia no filme Intolerance de David Griffith até à Queda do Império Romano de Anthony Mann, os autores de Tempo e Magia analisam os desafios da representação histórica do passado por meio da magia do cinema. O livro lança olhares inéditos sobre produções do auge do cinema ‘histórico’ hollywoodiano.

Ben Hur de Willian Wyler, Spartacus de Stanley Kubrick e Cleópatra, aparecem sob um novo olhar que interessará historiadores e aficcionados por cinema.

Ainda que criar em cinema não seja da mesma natureza que criar em História, os autores fazem questão de enfatizar esta relação entre ambos e criam representações sobre o passado, pretendendo dizer algo sobre o passado que faça diferença no presente.

Mas, o engenho e a arte de José Alberto Baldissera e Tiago Bruinelli, ainda que reconheçam e explorem tal argumento, demonstram a especificidade de cada uma dessas linguagens, que criam o passado diante de nossos olhos e da nossa imaginação: o cinema, como arte e indústria; a História, como disciplina académica que convida à crítica e à compreensão do lugar das representações do passado no nosso presente.

Este livro merece ser lido pela sua ousadia, uma vez que reflete a uma só voz sobre a arte e a ciência, através de um discurso que não dispensa os rigores de uma disciplina científica, mas que se deixa, subtilmente, capturar pela absoluta abertura à criação que somente a arte pode proporcionar.

O livro Tempo e a Magia inicia uma série de livros que narram o passado tendo a História como referência e o Cinema como veículo de representações do tempo histórico.

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